Com cerca de 600 colaboradores apenas em Londrina, a Construtora Plaenge apostou na reestruturação de sua comunicação interna para combater os informes não oficiais da rádio-peão. E deu certo, segundo o gerente de engenharia Rogério Cardoso. Lá a tecnologia foi uma grande aliada: a empresa adotou a comunicação via intranet, inclusive no canteiro de obras.
Conforme o engenheiro, no passado até informações sobre contratos fechados podiam chegar antes ao canteiro de obras do que para os engenheiros. ''Principalmente nos últimos três anos, a construtora passou por um processo de reestruturação e um dos ítens mais fortalecidos foi a comunicação interna. Hoje, em todas as obras existe um canal de intranet e qualquer decisão tomada além de outras informações são repassadas por esse canal'', destaca o engenheiro. Ele estima que a ferramenta eliminou em mais de 90% as informações paralelas.
O técnico em segurança do trabalho da Plaenge, Wilson Silva, completa que a intranet tem a vantagem de replicar a informação a qualquer tempo e em qualquer lugar. ''Se houver algum incidente em alguma obra, pode-se atuar na prevenção, repassando a situação para os demais canteiros de obra imediatamente'', valoriza. ''Já houve situação em que um incidente numa obra - a queda de uma janela sem feridos - chegou na outra ao lado como se um operário tivesse sido ferido gravemente.''
O pesquisador Artur Roman reforça que não se muda a realidade quando se tenta calar as pessoas. ''É como quebrar o termômetro com a ilusão de que a febre vai desaparecer'', compara.
Ele recorda que há alguns anos o presidente de uma tradicional indústria brasileira demitiu de uma só vez 16 funcionários que ''distribuíam críticas anônimas pelos corredores, alimentando intrigas e colocando a sinergia da equipe em risco''.
Mas a decisão veio acompanhada de explicação. ''O presidente explicou que a medida fora para reiterar uma regra: todas as críticas seriam bem-vindas, desde que feitas pelos canais formais.'' (L.A.)

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