A demolidora Bom Tempo - contratada por R$ 168 mil pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) para cumprir a etapa preliminar das obras de restauração - já retirou 15 toneladas de metal do que sobrou do prédio que abrigava o Teatro Ouro, destruído em um incêndio em fevereiro deste ano.
De acordo com a Diretoria de Projetos, Obras e Manutenção (Dpom) da universidade, a maior parte era das estruturas metálicas das cerca de 850 poltronas, do teto do auditório, da cobertura e da base do palco.
Segundo o engenheiro da Dpom, Rafael Fujita, que supervisiona a obra, como as máquinas não puderam entrar no espaço onde ficava o auditório, o trabalho foi feito manualmente, ''de forma artesanal''. Para cortar as vigas que ficaram penduradas com o desabamento da cobertura do prédio, o grupo de operários usou um maçarico.
Na quarta-feira, 30 dias após o início da faxina, a reportagem da FOLHA visitou o interior do Ouro Verde. Por questões de segurança, só foi permitido o acesso até a escadaria que dava acesso ao auditório. De lá é possível ver dois volumes grandes de metal que devem ser desmontados ainda hoje. Trata-se do duto de climatização e do urdimento (grade que servia como suporte para o sistema de iluminação) do palco.
Silene Sayão, engenheira de fiscalização do Dpom, acredita que até domingo todo o metal tenha sido retirado. Em média, uma caçamba é removida por dia. O material é destinado a ferros-velhos e será reciclado.
Na próxima semana, serão removidos o estofamento, partes do reboco que se soltaram com as chamas, as telhas e a fuligem. A previsão é que até o fim do mês todo o entulho tenha sido retirado. De acordo com o contrato, o prazo se esgota no dia 29. Mas as condições climáticas que prejudicaram o início da limpeza agora estão ajudando o esforço de cumprimento do prazo. ''Com chuva, por questão de segurança, o trabalho é suspenso'', afirmou Fujita.
Depois de terminar a etapa de evacuação do prédio, a UEL voltará a inspecionar toda a estrutura. A Dpom acredita que as avarias no subsolo e nos outros ambientes do teatro sejam de pequena monta. A inspeção vai determinar se há necessidade de demolir alguma parede.
Enquanto isso, a equipe de projetistas voluntários, coordenada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), deve concluir a elaboração e a compatibilização dos projetos complementares, último passo antes da finalização do projeto arquitetônico. O projeto pronto permitirá à UEL fazer um orçamento preciso para as obras de reconstrução. Ciente de qual o volume de recursos necessário, a cúpula da universidade vai tentar incluir a obra no orçamento estadual do ano que vem.

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