Empresa que presta serviço ao DNER está à beira da falência
Especial para a Folha
Funcionários da empresa Conspel, que presta serviços para o Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER) na pesagem de caminhões e ônibus, fizeram ontem manifestação em frente à sede do departamento, em Curitiba, protestando pelo atraso no pagamento dos salários. Dia 5 de julho completará três meses sem pagamento para 96 funcionários que operam as duas balanças da BR-116, em Campo Tenente e Fazenda Rio Grande.
Os serviços de pesagem são realizados desde 1987 por sete empresas privadas, contratadas pelo DNER. A medida foi tomada para evitar o desgaste das rodovias, causado por excesso de peso nos veículos. De acordo com dados do DNER, se a estrada receber uma carga superior a 10% da sua capacidade, a vida útil da pista diminui em 50%.
No Paraná, a Conspel opera nas rodovias federais e também nas estaduais, contratada pelo Departamento Estradas e Rodagem (DER). Há dois anos o DNER vem atrasando os pagamentos e deve R$ 1,4 milhões à empresa, que recorreu a empréstimos bancários para saldar suas dívidas. O problema é que estamos no limite da nossa capacidade de endividamento. Há três meses não conseguimos mais cobrir os salários e a dívida com o banco sem o repasse do DNER, afirma João Schneider, proprietário da Conspel. Ele diz que a situação financeira da empresa é gravíssima e se o Ministério dos Transportes não repassar pelo menos parte do que deve, a Conspel pode ir à falência.
O Ministério dos Transportes está com uma dívida acumulada de R$ 14 milhões com as empresas de pesagem em todo o Brasil. O superintendente do DNER no Paraná, João Alberto Sautchuk, diz que o Governo Federal fez cortes no orçamento destinado ao departamento e que um dos serviços mais prejudicados foi o de pesagem. Há dois anos os recursos estão escassos, mas o governo resolveu manter a pesagem, achando que resolveria o problema com a cobrança das multas nas balanças. O resultado da cobrança só permitiu recolher 10% do esperado e, além disso, não conseguimos um complemento orçamentário, explica o superintendente. Ele conta que pediu ontem ao chefe do gabinete do ministro Eliseu Padilha, que priorizasse o repasse de verbas para o Paraná, devido à grave situação da Conspel. O ministério prometeu uma solução rápida para o repasse de R$ 380 mil, referente à dívida dos meses de julho, agosto e setembro do ano passado.
Enquanto o dinheiro não vem, os funcionários da empresa continuam sem ter como saldar suas dívidas. Estou devendo para parentes e todas as minhas contas estão atrasadas. É humanamente impossível viver assim,lamenta Miguel Pain, operador de balança.





