A Coordenadoria Estadual de Defesa do Consumidor (Procon) instaurou ontem processo administrativo contra a empresa aérea Varig, acusada de quebra de contrato com passageiros. No último sábado, a empresa cancelou a escala de um vôo em Curitiba, alegando problemas técnicos na aeronave.
A multa da empresa poderá variar entre 200 e 3 milhões de Ufirs (de R$ 195,4 a R$ 2,93 milhões). A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e o Departamento de Aviação Civil (DAC) também abriram inquérito administrativo para apurar as causas do suposto problema.
O vôo 164 saiu do Aeroporto de Foz do Iguaçu às 17h30 de sábado com destino final ao Rio de Janeiro. O avião - um Boeing 737 200, com capacidade para 109 passageiros - faria escala em Curitiba. Quarenta e seis passageiros desembarcariam na capital paranaense. Outros 15 aguardavam o avião em Curitiba para viajar ao Rio.
Alegando ‘‘problemas técnicos’’ - mas sem explicar quais eram -, a empresa decidiu enviar o avião diretamente ao Rio. Os passageiros que desembarcariam em Curitiba seriam obrigados a seguir para o Rio e depois retornar à capital paranaense em outros vôos da empresa.
Cinco dos 46 passageiros que embarcariam em Foz recusaram a oferta. Entre eles estava o diretor-geral da Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor, Amauri Escudero. ‘‘Além de ninguém saber em que medida o alegado problema técnico poderia comprometer a segurança do vôo, a empresa deveria dar uma explicação por escrito e oferecer a opção de outros vôos diretos’’, disse Escudero à Folha.
A Varig então fretou um jato HS, com sete lugares, modelo executivo, em Curitiba, para buscar os cinco passageiros em Foz. ‘‘Tentamos resolver o problema da melhor forma possível’’, afirmou ontem o gerente da Varig no Aeroporto de Foz, Júlio Canhete. Ele não revelou o custo da operação.
Canhete não soube explicar à Folha qual seria o problema técnico. Segundo ele, a empresa decidiu levar o avião diretamente para o Rio - onde fica o centro de manutenção da Varig - para revisá-lo. ‘‘Esse problema, no entanto, não comprometeria a segurança do vôo’’, declarou.
De acordo com o gerente, os 41 passageiros levados involuntariamente para o Rio chegaram a Curitiba, em outro vôo da empresa, às 21h20 de sábado - duas horas e 50 minutos após o horário previsto. Os 15 que estavam em Curitiba seguiram à capital fluminense em um vôo da Transbrasil às 19h30, meia hora depois do previsto.

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