Curitiba - Um inquérito policial instaurado pelo 3º Distrito Policial de Curitiba pretende identificar a causa do acidente que deixou duas crianças mortas e outras sete pessoas feridas na tarde de domingo. Até agora, foram ouvidas as pessoas que estiveram no local e testemunharam o acidente. Todas relatam que ventos fortes teriam levantado os brinquedos infláveis e arrastado dois deles: o castelinho (onde estavam as duas crianças que morreram) e o touro mecânico (que foi arrastado por dez metros e só parou ao colidir contra o vidro do restaurante, deixando Maria Macolin Sudul, de 83 anos, gravemente ferida).
O incidente ocorreu por volta das 13h30, numa festa de confraternização organizada pela Associação Desportiva Classista da Siemens, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A festa era para as crianças filhos dos funcionários. A empresa Casquinha Eventos foi contratada para animar a garotada. A entrada era um brinquedo que seria doado no Dia das Crianças para uma instituição beneficente. Amanda de Oliveira Vieira, 8 anos, e Luís Eduardo da Silva, 5 anos, foram arremessados do brinquedo Castelinho Pula-Pula, que se desprendeu do chão - supostamente pela ação dos ventos. Os dois, que estavam no topo do brinquedo, morreram antes de receberem atendimento médico.
Outras pessoas que estavam próximas ficaram feridas. Todas receberam alta após serem medicadas. Apenas Maria Sudul ainda estava ontem internada no Hospital do Trabalhador e seria submetida a cirurgia plástica. O delegado Carlos Alberto Castanheiro, titular do 3º DP e responsável pelas investigações, não quis levantar suspeitas ontem. Apenas descartou a hipótese de ter havido uma explosão do brinquedo.
''O que todas as testemunhas me relataram é que um vento forte passou pelo local, como se fosse um tsunami, e foi levantando tudo. O que temos agora que esclarecer é se houve algum problema de manutenção, se os brinquedos não foram fixados adequadamente, se o local de instalação era indevido. Se algum destes parâmetros der positivo, a empresa pode ser responsabilizada por homicídio culposo (sem intenção)'', comentou o delegado.
O Instituto de Criminalística é o responsável pela perícia e pela verificação dos brinquedos. Na noite do acidente, bombeiros chegaram a afirmar que os brinquedos não estavam devidamente fixados. O castelinho pula-pula teria subido 10 metros de altura com o vento e o touro teria sido arrastado. ''Se constatarmos irregularidades, teremos ainda que verificar se foi por negligência ou imperícia'', complementou Castanheiro.
Dois sócios da Casquinha Eventos também foram ouvidos pela delegado e alegaram que os brinquedos eram novos e que a empresa tem tradição nesse tipo de evento.
Mais de 200 pessoas estavam na festa no momento do incidente. O laudo do Instituto de Criminalística deverá ficar pronto em cinco dias úteis. Castenheiro aguarda ainda os laudos do Instituto Médico Legal (IML) sobre a causa da morte dos garotos.
O tenente Davi Daniel Simão, do Corpo de Bombeiros, mobilizou 30 homens para fazer o atendimento no local.
A reportagem entrou em contato com a empresa, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

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