A Prefeitura de Curitiba está investigando se a empresa Gracia Estruturas Metálicas possui alvará para trabalhar com a montagem e desmontagem de torres metálicas no bairro Portão. A investigação foi iniciada depois de um acidente ocorrido na quinta-feira, em que os operários Junival Ferreira do Nascimento, 21 anos, e Amarildo José da Rosa, 23 anos, morreram quando uma torre de 25 metros tombou nas dependências da empresa. A dúvida sobre a existência foi levantada pelo vizinho da empresa, João Silvestre, que ficou assustado com o acidente. ‘‘Essa torre poderia ter atingido a minha casa e mais pessoas poderiam ser feridas. Acho estranho que a prefeitura dê alvará para a montagem de torres tão altas próximas a residências’’, questionou.
Outra vizinha, Rosângela Matias, diz que na noite anterior ao acidente viu a torre balançar e ouviu ruídos estranhos, como se a torre estivesse solta. Num terreno ao lado, outra torre ainda de pé já assustou a vizinhança. ‘‘Em dezembro bateu um raio nela e a TV da casa ao lado queimou’’, diz a dona de casa Sueli Terezinha da Silva.
O engenheiro de Segurança do Trabalho da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), Valdir Silva, informou ontem que a DRT deve realizar até o final da próxima semana uma fiscalização na empresa Gracia para avaliar as circunstâncias em que ocorreu o acidente que causou a morte dos dois operários. Silva disse que o resultado dessa vistoria vai ser encaminhado à Promotoria de Acidentes do Trabalho, que vai decidir se abre inquérito civil ou também uma investigação criminal. ‘‘Se forem encontradas irregularidades a empresa pode ser interditada.’’
O engenheiro informou que se forem encontrados indícios de negligência ou imprudência por parte da empresa a promotoria pode pedir também indenização ao proprietário da indústria para as famílias dos mortos. ‘‘Nesse tipo de trabalho é necessário equipamentos de proteção individual e coletiva, e tem que haver um treinamento de prevenção aos acidentes de trabalho.’’

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