Empresa pede reintegração de posse
Sandra Mara Mendes
Especial para a Folha
A Madeireira Santana, de Renascença (15 km a leste de Francisco Beltrão), entrou ontem com pedido de reintegração de posse da Fazenda Santana, na 2ª Vara Cível de Francisco Beltrão. A fazenda foi ocupada na madrugada de anteontem por 300 famílias de trabalhadores rurais sem-terra.
O gerente da Madeireira, Henrique Prattes, disse que a área é produtiva e com reflorestamento. O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Sudoeste, Seno Staats, disse que a Madeireira Santana há 90 dias não paga o salário de seus funcionários. Aproximadamente 70 dos 300 invasores, segundo Staats, pertencem a folha de pagamento da empresa.
Prattes nega a informação. Segundo o gerente, o salário dos 170 funcionários da madeireira está em dia e apenas cerca de 10 invasores são empregados da empresa.
Prattes informou ainda que a área invadida é de 60 hectares que estavam prontos para o plantio de pinus. No total, a Fazenda Santana tem 3 mil hectares e pertence a um grupo de empresários gaúchos, controlado pela holding Gamasa S/A, de Porto Alegre.
Sem-teto A polícia de Guarapuava prendeu ontem o sem-teto Antônio dos Santos, um dos líderes do movimento que invadiu um terreno de 40 mil metros quadrados no bairro Boqueirão, pertencente à prefeitura. Santos, que já estava com a prisão preventiva decretada pelo Ministério Público desde o dia 27, foi liberado logo em após a audiência no Fórum.
Segundo o delegado-chefe da 14ª Subdivisão Policial de Guarapuava, Darci Bianchini, a liberação ocorreu porque o mandado de prisão não trazia maiores dados de qualificação como filiação e nem data de nascimento. ‘‘Em pesquisa que realizamos nos computadores, encontramos aproximadamente duas mil pessoas com o mesmo nome no Paranᒒ, disse Bianchini. O outro líder do movimento, Lodair José de Oliveira, também tem prisão preventiva decretada.
O terreno invadido já estava com a reintegração de posse decretada pelo juiz da 1ª Vara Cível da Comarca desde o último dia 8 e a área foi adquirida pela prefeitura para fins de utilidade pública, principalmente para a construção de casas populares. (Colaborou Luiz Carlos Dias Júnior, de Guarapuava).

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