Empresa nega uso de produto químico na hora de explosão
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2001
Célia Guerra<br>De Londrina 
A proprietária da empresa Luckma Ltda, responsável pela limpeza no Centro Cirúrgico do HU, garante que o funcionário Paulo Roberto de Andrade não estava usando produto químico inflamável no momento da explosão, ocorrida na segunda-feira à noite. Paulo teve 90% do corpo queimado e morreu anteontem. Luciana Garcia Marigo de Moraes, dona da Luckma, disse que a enceradeira que teria provocado a faísca era nova e só é utilizada para a aplicação de detergente neutro. Para ela, só as investigações da Polícia Técnica poderão esclarecer as causas do acidente. Luciana deve enviar hoje o manual da enceradeira para os peritos.
No momento da explosão, outros três funcionários da empresa trabalhavam no centro de esterilização. Uma delas era a esposa da vítima, Eliane Andrade. Ela estaria a cerca de um metro de distância da máquina quando aconteceu o acidente. A proprietária disse que a esposa de Andrade, apesar de estar muito abalada, não soube explicar o que ocorreu. ''Ela me contou que ouviu apenas um barulho'', relatou.
Luciana explicou ainda que a aplicação do removedor de resina (produto inflamável) após a limpeza do piso, é feita com uma vassoura. E a aplicação do impermebilizador (também inflamável) não utiliza equipamento elétrico mas uma espécie de rodo manual. Ela destacou que Andrade era bastante experiente no serviço e não permitia que outras pessoas manuseassem os aparelhos. A empresa trabalhava no hospital a aproximadamente 20 dias, o setor onde ocorreu o acidente seria a última etapa do serviço.
O bioquímico e perito Marco Antônio Otta, do Instituto de Criminalística, disse que a polícia ainda não iniciou as análise dos materiais. Ele destacou que os exames químicos dos produtos recolhidos no Centro Cirúrgico dependem dos laboratórios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e por isso só serão feitos quando acabar a greve. O delegado do 2º DP, José Arnaldo Peron, deverá abrir hoje o inquérito policial.
As atividades no Centro Cirúrgico do HU foram retomadas anteontem à noite. Após a liberação da sala pela Polícia Técnica, a direção do hospital providenciou a limpeza do local. Parte do centro de esterilização também já funciona normalmente.


