Cerca de 400 quilos de embalagens plásticas usadas de produtos tóxicos foram devolvidas ontem à tarde à Isogama Indústria Química, de São José dos Pinhais. A Isogama é acusada de fazer, na semana passada, uma doação irregular do material à Comércio de Papéis Aguiar, que trabalha com técnicas de reciclagem. A empresa pediu assessoramento técnico a organizações não-governamentais de proteção ecológica, que denunciaram o caso ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
Representantes da Isogama, que produz impermeabilizantes e imunizantes para madeira, compareceram ontem pela manhã ao escritório do IAP em Curitiba. Eles negaram que a doação teria partido da empresa, mas se comprometeram a recolher as embalagens até que elas tenham uma ‘‘destinação final adequada’’. O coordenador do Projeto Ilha, Miguel Jorge Spikula, um dos autores da denúncia feita na quinta-feira passada à Folha, disse ter como provar que o material saiu da Isogama. ‘‘Temos testemunhas e é só checar pela Telepar as ligações entre a empresa e o pessoal da Comércio de Papéis Aguiar’’, disse.
De acordo com o chefe do escritório do IAP em Curitiba, Romão Kawa Filho, não existe possibilidade de comprovar que as embalagens tenham sido de propriedade da Isogama. Será muito difícil também saber o tipo de produtos químicos que eram acondicionados no material. ‘‘Nas tampas plásticas fica apenas o odor do material. Os técnicos do IAP que analisaram este material me reportaram apenas que era um cheiro de um produto químico’’, disse Romão. No entanto, ele observou que o destino final das embalagens teria de ser autorizado pelo IAP. A finalidade é definir pela reciclagem, depósito em aterro sanitário ou a incineração.
Miguel Spikula disse que pretende formular uma ação judicial para tentar saber qual é o risco de contaminação que o material apresenta, onde deveria estar armazenado e quais os prejuízos de saúde que as embalagens poderiam causar nas pessoas que tiveram contato com elas. Ele conta que depois de receber o material da Comércio de Papéis Aguiar, começou a sentir dores de cabeça. A Acidol, uma das empresas que pertenciam aos proprietários da Isogama, já foi atuada pelo IAP em 95 por ‘‘problema de poluição ambiental’’. A empresa não existe mais.

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