A empresa de segurança Águia Vigilância, de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), está representando na Justiça contra o delegado local, Edson Casagrande, e contra o suplente de delegado e informante da Polícia Civil, Manoel Morais. Os dois são acusados de abuso de poder ao abordar três funcionários da empresa, na noite do dia 9, quando iniciavam o patrulhamento rotineiro pelas ruas da cidade.
Os vigilantes Natalício Francisco de Lins, 54 anos, Antônio Aparecido Lopes, 40, e Joaquim Donato dos Passos, 28, foram interpelados por Manoel Morais com a alegação de que a documentação das motos estava irregular. ‘‘Isso não caracteriza crime. O Manoel não poderia fazer este tipo de abordagem que é exclusiva da Polícia Militar. O pior é que as motos estão com os documentos em dia’’, ressaltou o vereador e PM licenciado, Antônio Vieira, marido de Angela Maria Lopes Vieira, sócia da empresa.
Na delegacia, somente Natalício tinha motivos para ser autuado em flagrante, por porte ilegal de arma. ‘‘Eu realmente estava com um revólver sem porte de arma. Todos mundo na cidade sabe disso, pois trabalho como vigia há mais de oito anos. O Manoel não me deteve por isso. Só na delegacia é que ele percebeu o revólver’’, comentou. Segundo Natalício, ele estranhou que, depois de ser levado para a delegacia, Manoel teria ligado para o delegado, provavelmente em Londrina, onde reside, e afirmado que ‘‘estava tudo pronto’’.
Os demais vigilantes estão inconformados, pois foram impedidos de trabalhar naquela noite, no sábado e no domingo, porque as motos ficaram apreendidas na delegacia sem qualquer motivo. ‘‘Eles não nos pediram nenhum documento. Ficamos detidos por uma hora e depois fomos liberados sem qualquer justificativa’’, declarou Joaquim Passos. Para Antônio Lopes a situação foi constrangedora. Na segunda-feira, dia 11, os vigilantes voltaram a fazer as rondas pela cidade sem qualquer problema.
De acordo com Antônio Vieira, a ação contra o delegado é por abuso de autoridade e constrangimento dos funcionários da empresa. Contra Manoel Morais, por exercício arbitrário do direito. Morais é acusado de fazer diligências e andar armado.
Esta não é a primeira acusação contra Manoel Morais. Há aproximadamente um mês uma mãe representou no Fórum local contra ele por abuso de autoridade ao abordar o filho menor, junto com outros menores, em frente da casa dela na área central da cidade. Os menores alegam que foram obrigados a abaixar as calças para que Manoel e outros policiais os revistassem. A denúncia seria uso de tóxicos. Nada foi encontrado.
O delegado Edson Casagrande foi procurado pela Folha várias vezes, desde quarta-feira, mas não deu retorno às ligações feitas à delegacia local.

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