Empresa mantém serviço
de internação em casa
Lúcio Horta
A preocupação em melhorar a qualidade de vida de seus empregados levou a Volkswagem a implantar em dezembro de 1994 um programa pioneiro de internação domiciliar: o Home Care. Pelo sistema, quando possível, o paciente é atendido dentro de casa, estreitando os vínculos familiares, eliminando os riscos de infecção e diminuindo o tempo de recuperação.
O gerente de Serviços da Volkswagem, Murilo Alves Moreira, explica que a idéia em implantar o serviço começou a ser discutida em 1992, a partir do estudo de experiências realizadas no Brasil e no exterior. Na época, a empresa sentiu a necessidade em oferecer uma alternativa ao plano de saúde tradicional. ‘‘A prevenção sempre foi uma preocupação da empresa’’, salientou Moreira, durante coletiva realizada na semana passada na fábrica da Volks, em São Bernardo do Campo (SP).
Para implantar o Home Care, foi contratada a Home Doctor. A empresa oferece ao paciente toda a estrutura necessária para o atendimento domiciliar, como cama hospitalar e cilindros de oxigênio. Mesmo procedimentos mais complexos, como quimioterapia, exames de Raio-X e hemodiálise, podem ser realizados na residência. A equipe inclui médicos, enfermeiros e nutricionistas.
O programa atinge uma população de 103 mil pessoas, entre funcionários da empresa, dependentes, agregados e aposentados. Os pacientes atendidos pelo Home Care são aqueles com doenças crônicas - como problemas cardiovasculares neoplasias - e que necessitam de internações prolongadas ou frequentes.
Desde a sua implantação, em 94, até a semana passada, foram atendidos 341 pacientes, a maioria das unidades de São Bernardo do Campo, São Paulo e Santo André. Os resultados são animadores: do grupo inicial de 169 beneficiados pelo programa, o número de internação hospitalar caiu em 75%; e os dias de internação, 89%. Isso representou uma redução de gastos da empresa em internações em 55%.
O Home Care gerou outros dois produtos. O primeiro foi o Baby Care, que tem por objetivo prevenir doenças nos filhos dos empregados. Quando nasce a criança, uma enfermeira vai até a casa do funcionário orientar a mãe e um médico avalia o estado da criança. Desde 96 quase 1,5 mil crianças foram atendidas. A média de nascimentos na empresa é de 140 crianças por mês.
Outro programa que surgiu a partir do Home Care foi o Aids Care, para tratamento domiciliar ou ambulatorial específicos para empregados e familiares portadores do vírus HIV. Em dois anos, foram atendidas 65 pessoas, com redução neste período de 90% das internações hospitalares e 35% dos custos do tratamento. Do grupo atual de 53 pessoas atendidas pelo programa, 44 não apresentaram mais os sintomas da doença e trabalham normalmente na empresa.
Murilo Moreira destaca que o Home Care e os produtos agregadas não representam nenhum custo adicional ao que o empregado já pagava pelo plano de saúde tradicional - 1% do salário, independente do número de dependentes. Pessoas ‘‘agregadas’’ (sogro e sogra, por exemplo), pagam separadamente. Ele informa ainda que, somente no último ano, a empresa gastou US$ 70 milhões com a saúde dos empregados, US$ 54 só com plano médico.
O gerente de serviços da Volkswagem acrescenta que, por enquanto, apenas os funcionários da Grande São Paulo estão beneficiados pelo Home Care. Mas o serviço poderá ser estendido a outras unidades. O jornalista viajou a São Bernardo do Campo a convite da Volkswagem.

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