Empresa instala 50 cofres anti-roubos
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sábado, 04 de janeiro de 2003
Renê Muller<br> Reportagem Local 
Uma frota de 50 ônibus da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) circulará a partir de segunda-feira com caixas pretas, de cerca de meio metro de altura, chumbadas junto aos seus chassis: são os cofres que guardarão o dinheiro e passes recebidos pelo cobrador. A intenção é inibir os assaltos, que deram um prejuízo de R$ 28 mil à empresa apenas em 2002. Outros nove microônibus da linha ''Psiu'', que fazem o transporte diferenciado, também receberam cofres. A meta é equipar toda a frota de 272 veículos com o dispositivo até o fim do ano.
Inicialmente, os dispositivos foram instalados nos ônibus das linhas 103 (Jardim Santa Fé zona leste) e 314 (Jardim Olímpico zona oeste). As linhas 405, do Conjunto Maria Cecília, a 406, do Conjunto Aquiles Sthenghel Guimarães, e a 407, do Conjunto João Paz (zona norte), também estão entre as mais prejudicadas pela ação dos assaltantes. Alguns funcionários, com medo e traumatizados, não querem voltar a trabalhar nos trajetos mais visados pelos ladrões.
Os cobradores terão em seu poder o equivalente a 20 tarifas, apenas para efetuar o troco. Todo o resto será depositado na urna, afixada ao lado direito do cobrador. Nem ele nem o motorista do ônibus terá a chave que abre o depósito. Ela ficará com um terceiro, que fará a coleta do conteúdo na troca de duplas de trabalho. ''Nossa orientação é não reagir e não tentar impedir nenhum assalto, principalmente pensando na integridade do passageiro e dos funcionários'', ressaltou o chefe de tráfego da empresa, Daniel Martins.
A TCGL foi assaltada 407 vezes no ano passado, o que significa 1,11 assalto por dia. Na maior parte dos casos, são roubados pequenos valores, que podem ser R$ 5,00, ou mesmo R$ 1,00. ''Acreditamos que a maior parte dessas ações seja feita por menores de idade, que usam o dinheiro para comprar droga'', disse o chefe de tráfego.
Os cofres têm um custo de R$ 45,00 cada e são fabricados em Londrina. Foram inspirados na experiência de Ribeirão Preto (SP), onde as empresas também sofriam com os assaltos e tiveram uma melhora expressiva com a adoção da caixa-forte. Os ônibus ''Psiu'' da empresa que receberam cofres ainda não foram assaltados.
Até hoje, apenas em um caso de roubo um motorista da TCGL acabou ferido por uma bala: deu a partida quando percebeu que o carro seria invadido por assaltantes. ''Eu nunca fui vítima de assalto, graças a Deus, mas agora ando sempre ressabiado, esperando que qualquer coisa fora do normal possa acontecer'', comentou o cobrador Edson José Alves.


