Marcos BorgesMiséria repartidaDos R$ 100,00 mensais arrecadados pelo catador Eduardo de Paulo, parte vai para a ex-mulher e o filhoA Associação dos Catadores de Papéis e Materiais Reclicáveis de Londrina (Acaprel) firmou acordo com a empresa Luzemar, objetivando melhorar as condições de trabalho de seus associados, aumentar a quantidade de papéis vendida mensalmente, melhorar o ganho dos trabalhadores e expandir os negócios da entidade, para uma futura transformação em cooperativa. A informação é do presidente da Acaprel, Pedro da Silva Polon.
Fundada há dois anos através do Comitê da Ação e da Cidadania contra a Fome e a Miséria - programa nacional criado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que morreu no Rio de Janeiro no sábado da semana passada -, a Acaprel reúne 47 catadores de papéis da Cidade. Neste período, a associação conseguiu organizar a categoria para o trabalho conjunto e a aquisição de 32 carrinhos adaptados, através de outros convênios e doações; que também garantem a entrega mensal de cestas de alimentos básicos às 30 famílias mais carentes.

Marcos BorgesExpansãoPolon, da Acaprel: futura cooperativaPelo acordo, a empresa Luzemar - propriedade de Luiz Antonio Maximiano - cede um estacionamento seguro para a guarda dos carrinhos e o depósito para a separação dos papéis - branco, jornal ou papelão -, e recebe em troca a exclusividade na compra, ao preço de mercado, de todo material conseguido pelos catadores. O convênio vale por tempo indeterminado e será operacionalizado e fiscalizado por um funcionário da empresa e um trabalhador indicado pela Acaprel.
Segundo Pedro Polon, a Luzemar repassará ainda à associação R$ 0,02 por quilo de papel comprado. ‘‘Pretendemos usar o dinheiro arrecadado na compra de outros carrinhos, de uniformes para os trabalhadores, cestas básicas de alimentos para as famílias que ainda não as recebem. Vamos investir também na assistência médica e capacitação da mão-de-obra de nosso pessoal’’, garante.
O empresário Luiz Maximiano - há 15 anos no ramo de comprar papéis usados em todo Norte do Paraná - afirma que o objetivo do convênio é mesmo o de dar melhores condições de trabalho e de vida aos catadores. ‘‘O nosso interesse é o de apoiar os trabalhadores, do ponto de vista operacional e de equipamentos, e ajudar no crescimento da associação’’, comenta. Ele não quis entrar em detalhes sobre os preços que pagará pelos papéis comprados dos sócios da Acaprel.
‘‘Não vale a pena falarmos sobre os preços. Eles variam muito, dependendo da qualidade, da quantidade e da época. Pagaremos sempre os preços atuais do mercado. O mais importante é que o acordo foi firmado com boas intenções e valerá enquanto estiver atendendo aos interesses das duas partes’’, diz o proprietário da Luzemar, cuja família possui uma fábrica de papéis recicláveis em Guarapuava. Segundo Luiz Maximiano, as cerca de 1.200 toneladas de papéis usados que adquire mensalmente são revendidas também a outras três fábricas instaladas no Paraná, uma das quais em Londrina.
De acordo com Pedro Polon - que é contratado pela Frente de Trabalho da Prefeitura e cedido para a direção local do Comitê da Ação e da Cidadania -, além do pequeno ganho mensal e da consequente baixa qualidade de vida, os catadores de papéis são discriminados por parte da população, que os tratam como mendigos. ‘‘É necessário que a sociedade entenda a importância dos catadores de papel - inclusive ecológica, porque ajudam na reciclagem do papel, evitando a derrubada de árvores - e passe a tratá-los como trabalhadores dignos, que dão um duro danado para garantir o sustento de suas famílias.’
Os catadores de papéis da Cidade não são obrigados a se associar à Acaprel e nem pagam mensalidade à entidade. ‘‘Vem para a associação os que se conscientizam de que são explorados por todos os lados e descobrem que aqui, trabalhando coletivamente, podem conseguir melhorar suas vidas’’, ressalta Pedro Polon. Segundo ele, os catadores têm recebido entre R$ 0,03 e R$ 0,12 por quilo de papel usado, preços que variam de acordo com a qualidade do produto.

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