Empresa fecha e não paga funcionários
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de setembro de 1998
Lucilia Okamura 
A serraria Jangada, que funcionava no Jardim Ana Elisa, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), fechou as portas na semana passada, o proprietário desapareceu e deixou 38 funcionários sem receber salários e rescisões de contrato. A denúncia é de um grupo de empregados que esteve reunido ontem de manhã com a diretoria do Sindicato dos Empregados da Indústria da Construção Civil, com sede em Londrina.
Os salários pagos pela serraria variavam entre R$ 215,00 e R$ 249,00, dependendo da função. Alguns deles ganhavam ainda uma comissão. A empresa, segundo os funcionários, começou a funcionar há cerca de um ano e meio e estava sob a responsabilidade de João Marques. Até há seis meses, ele pagava tudo certinho, depois começou a atrasar o salário e o vale, afirma Rosemiro Pereira, 21 anos, que trabalhava como estopador.
Pereira relata que a situação piorava a cada mês e, em agosto, os funcionários resolveram conversar com Marques. Ele disse que a gente estava pressionando e que, por isso, resolveu demitir todo mundo, informa. O aviso prévio foi entregue ao pessoal e venceu no dia 28 (segunda-feira). Mas na sexta-feira passada, os funcionários começaram a desconfiar que algo estava estranho porque foram trabalhar e encontraram a serraria fechada.
Os funcionários contam que após pular a cerca da empresa, notaram a falta de alguns equipamentos no local. Pereira diz que um grupo foi até a casa de Marques, próximo à serraria, mas estava tudo fechado. Um vizinho teria informado que ele havia viajado.
Na segunda-feira, os empregados voltaram à casa do dono da serraria e, novamente, não encontraram ninguém. Daí resolvemos abrir um vitrô e vimos que lá dentro estava tudo vazio. Ele tinha levado tudo, lamenta. Segundo os funcionários, na casa ficou apenas um sofá velho.
Morando em uma casa alugada no Jardim Ana Elisa 3 (em Cambé), Pereira é casado, tem um filho de 1 ano e quatro meses e a mulher está grávida de cinco meses. A situação em casa está difícil, resume. Ele diz que está com contas atrasadas e andou trabalhando como servente de pedreiro por aluns dias. Falaram até que iam me contratar, mas não puderam porque a serraria não deu baixa na minha carteira de trabalho, lamenta.
Odair Pereira da Silva, 23 anos, é outro empregado que também está na mesma situação. Casado, ele mora em Cambé e diz que os mantimentos e outros produtos estão começando a faltar em casa. O gás só vai dar para mais dois dias, relata. Na serraria, ele ganhavam um salário de R$ 249,00 mais uma comissão. É a primeira vez que acontece isso, de ser enganado. Não esperava isso, observa.
José Carlos Aparecido Ferreira, 21 anos, se sente duplamente enganado porque não é a primeira vez que fica sem receber salários. Ele conta que no ano passado trabalhou seis meses como servente em uma firma e não recebeu. Na empresa falaram que também não tinham recebido e, por isso, não tinham dinheiro para nos pagar, conta. O caso, segundo ele, está na Justiça. Na serraria, Ferreira começou a trabalhar em maio, recebendo um salário de R$ 225,00. Arrumo esse emprego e olha o que me acontece, reclama. Agora estou torcendo para arranjar outro serviço melhor e que isso não me aconteça mais, observa. Ele é casado, tem um filho de 10 meses e mora no Conjunto Avelino Vieira, zona oeste de Londrina.


