Paulo Ubiratan
O promotor da 8ª Vara Cívil de Londrina, Antônio Winkert de Souza, requereu abertura de inquérito judicial para apurar possíveis responsabilidades criminais na falência da indústria de Roupas Confiança, decretada pela juíza Cristiane Tereza Willy Ferrari, em 16 de junho do ano passado. Um dos ex-diretores da Confiança, Gabriel Khouri, teve prisão administrativa decretada pela juíza em 25 de março e está foragido. Se for detido, ficará 60 dias preso.
‘‘A decretação da prisão do empresário nada tem a ver com a abertura de inquérito judicial que estou pedindo à juíza Cristiane Ferrari’’, explicou o promotor. A prisão de Gabriel Khouri foi decretada porque ele movimentou R$ 522 mil em uma conta da empresa, na agência do Bradesco de Assaí (36 km a leste de Londrina), depois da ação de falência. Neste caso, o empresário praticou dois delitos em relação à Lei de Falência: quando declarou os bens da sua empresa na Justiça não citou esta conta e, pelo artigo 45, estava proibido de movimentá-la.
‘‘Na ocasião, o numerário foi transferido para diversos beneficiários, alguns dos quais nem constam no rol dos credores da indústria falida. Com este valor desviado, o empresário causou enorme prejuízo a vários credores, especialmente aos operários com crédito trabalhista’’, afirmou Winkert. Ele enfatizou que nem o síndico da massa falida pode vender alguma coisa, movimentar dinheiro da empresa sem o expresso consentimento da Justiça.
A juíza Cristiane Ferrari disse à Folha que uma das empresas que recebeu a maior parte do valor beneficiado possui todos os indícios de ser a sucessora da massa falida. ‘‘Trata-se da empresa Embratec, que recebeu R$ 390 mil da conta que a Confiança tinha em Assa풒, disse. A juíza afirmou que o banco Bradesco poderá ser passível de responsabilidade civil por permitir que Gabriel Khouri movimentasse a conta.
Nas suas alegações de defesa, o acusado oficiou a juíza Cristiane Ferrari que desconhecia a lei e que o dinheiro que estava no Bradesco não pertencia à empresa, mas à pessoa física. ‘‘O que eu fiz foi utilizar meus parcos recursos e trabalhos pessoais para auxiliar a empresa’’, alegou o empresário. No mesmo documento, ele assume também toda a responsabilidade do ato e outorga procuração para seu irmão Gilberto Khouri.
A Folha tentou falar ontem à tarde com os advogados de Gabriel Khouri, Marcelo Leal e Irineu Codato, mas não conseguiu. Segundo a secretária de Leal, o advogado estava em Curitiba e retornaria à noite. A secretária de Codato informou que ele já havia saído e não mais retornaria ao escritório. Os dois estariam tentando habeas-corpus junto ao Tribunal de Justiça em Curitiba para relaxar a decretação da prisão do acusado. Se for condenado por responsabilidade criminal, Gabriel Khouri poderá pegar de 2 a 4 anos de reclusão.

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