Empresa entrega arroz com peso menor
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terça-feira, 29 de agosto de 2000
Lino Ramos de londrina 
O Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) encontrou ontem irregularidades em pacotes de arroz de 5 quilos do tipo 1, comprados pela Prefeitura de Londrina para a merenda escolar. Segundo o fiscal metrológico, Marcelo Trautwein, em cada pacote faltavam em média 130 gramas do produto. O arroz da marca Da Avó foi comprado da Arrozeira Scalabrini, de Sarandi (7 km a leste de Maringá). A fiscalização foi feita a pedido do auditor do município, Sadi Chaiben.
Foram apreendidos 842 pacotes do produto e a empresa poderá pagar multa entre R$ 200 mil e R$ 750 mil, dependendo dos antecedentes. O fato de ser alimento para a merenda escolar pode agravar a situação da arrozeira, que terá 15 dias para recorrer ao departamento jurídico do Ipem em Curitiba. O erro é grave porque a tolerância é de até 10 gramas, explicou Trautwein. Segundo ele, alguns pacotes apresentaram até 180 gramas a menos.
Em 22 de março a prefeitura adquiriu da Arrozeira Scalabrini 11.520 pacotes de arroz por R$ 35.136,00 R$ 3,05 por unidade. Outra compra de 408 pacotes a R$ 1.244,40 foi feita em 25 de abril. As 130 gramas a menos daria para alimentar quatro pessoas. No total estamos deixando de alimentar 4,2 mil pessoas, avaliou.
A Scalabrini fornecia alimentos para a prefeitura de Londrina há dois anos e nesse período teria recebido aproximadamente R$ 240 mil. O auditor também irá pedir à Vigilância Sanitária uma análise da qualidade dos alimentos vendidos pela arrozeira.
O procurador-geral do município, Arão Moreira dos Santos Neto, disse ontem que irá aguardar os documentos sobre a irregularidade e adiantou que o responsável pela venda se comprometeu a repor ainda hoje o produto não entregue. Mesmo com a apreensão do produto estocado no Programa de Alimentação Escolar, o procurador não acredita que faltará arroz para a alimentação dos alunos da rede municipal.
Segundo Arão Santos Neto, não está descartada uma ação indenizatória contra o fornecedor do produto. Sobre as compras anteriores junto à Scalabrini, o procurador disse que não há como ter certeza se houve irregularidades. Presume-se que estaria faltando, mas não há como termos certeza. Ao Ipem, o dono da arrozeira, Mário Scalabrini, alegou que houve um problema com um maquinário que adquiriu recentemente. A Folha ligou para a empresa em Sarandi mas não conseguiu falar com Scalabrini.


