O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multou ontem a Companhia Cacique de Café Solúvel em R$ 200 mil por dia, por poluir o córrego Cacique, afluente do Ribeirão Cambezinho. Ambos vão desaguar no Rio Tibagi. O IAP levou em consideração ‘‘o tamanho da indústria, o número de funcionários (580) e o lançamento inadequado em rede fluvial’’. Há cerca de três dias, a água do córrego começou a apresentar uma cor escura e um forte cheiro de café. A multa já está acumulada em R$ 600 mil.
O diretor do escritório regional do IAP, Andrew Pinheiro Neto, informou que ‘‘o IAP não quer espoliar ninguém, mas mediante o crime ambiental não há outro modo de proceder’’. De acordo com o diretor, a empresa já foi notificada e tem um prazo para recorrer. ‘‘Uma queixa-crime já está sendo encaminhada à Promotoria do Meio Ambiente, que vai cuidar do caso’’, informou.
Conforme informações de Sérgio Sardenberg, diretor da Companhia Cacique, a empresa vai recorrer da multa. Sardenberg atribuiu às chuvas dos últimos dias o despejo de esgoto. ‘‘Houve um verdadeiro dilúvio, que transbordou os três decantadores, carregando o líquido para o córrego’’, explicou. Sardenberg disse que a Cacique tem o certificado de qualidade ISO 9000 e está prestes a conseguir o ISO 14000, que diz respeito ao meio ambiente. ‘‘Não vamos deixar que uma multa resultante de um acidente venha abalar a credibilidade de uma empresa de 40 anos.’’
Além do IAP, que lavrou a multa, estiveram ontem no local a promotora do Meio Ambiente, Luciana Lepri Moreira, acompanhada da Polícia Florestal, do Instituto de Criminalística e professoras do departamento de química da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que recolheram amostras do líquido para análise. Segundo a promotora, a nascente do córrego Cacique está seca. ‘‘O que chega no Cambezinho é só esgoto’’, afirmou Luciana Moreira.

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