A Promotora do Meio Ambiente de Londrina, Luciana Lepri Moreira, está investigando a denúncia de poluição do ar feita por moradores do Conjunto Eucaliptos (região leste) contra a Milênia Agrociências S/A. Ontem à tarde, três pessoas estiveram no gabinete da promotora afirmando que na segunda-feira houve o vazamento de produtos químicos na fábrica que afetou os vizinhos. ‘‘Várias pessoas se queixaram de ardência na boca, garganta e nariz, dor de cabeça e náuseas. Tudo começou a partir do cheiro forte de veneno no ar e não é a primeira vez que isso acontece’’, disse o representante comercial Maurício Martins.
Mesmo sendo feriado, a professora Joselaine Borges Yamada disse que conseguiu falar com um funcionário da empresa que ofereceu a visita de um técnico em segurança do trabalho. ‘‘Já conversei com um deles antes e não adiantou nada. Sei que os agrotóxicos que a fábrica produz são perigosos porque meu marido foi obrigado a deixar seu emprego lá por problemas de saúde em apenas três meses. Hoje, ele está desempregado’’, comentou.
Claudina Zelinda Scopel está processando a Milênia desde 98 porque acredita que a empresa seja a responsável pela perda da sua imunidade biológica, olfato e paladar. Segundo ela, sua chácara fica a cerca de 600 metros da fábrica e só não mudou de lá porque ninguém quer comprar. ‘‘Nossas propriedades foram desvalorizadas por causa da empresa. Minha médica já sugeriu que eu mudasse de lá, mas não tenho outro imóvel. O único interessado é a própria Milênia que por isso derruba a oferta’’.
Os três afirmam que suas queixas representam toda a comunidade que não entende a presença de uma fábrica numa região de chácaras. O presidente da Milênia, Oswaldo Pitol, garante que a área é industrial e atribui as recorrentes denúncias a um pequeno grupo de pessoas interessadas na especulação imobiliária. ‘‘Estamos prestes a conseguir o certificado de qualidade ambiental e nenhuma dessas críticas à empresa faz sentido. Estão querendo tirar vantagem, mas nunca ninguém provou nada contra nós’’, respondeu.
O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Andrew Pinheiro, afirmou ontem no final da tarde, que recebeu a denúncia de um morador, mas não soube informar se a equipe de fiscais já havia visitado o local. De qualquer forma, ele garantiu que a reclamação será checada.
A promotora do Meio Ambiente disse que ainda não analisou o caso e que depende exclusivamente da avaliação dos órgãos fiscalizadores responsáveis para emitir um parecer. ‘‘Vamos investigar tudo o que foi dito. No entanto, é preciso deixar claro que esta promotoria se restringe às questões ambientais. Denúncias de prejuízos à saúde devem fazer parte de uma ação indenizatória promovida pelas pessoas que se sentem prejudicadas’’, finalizou.

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