Empresa é autuada por poluir ribeirão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de novembro de 2001
Adriana De Cunto<br> De Londrina 
Uma empresa de confecções foi autuada anteontem, pela Autarquia Municipal de Ambiente (AMA) por poluir o Córrego Barreiro, localizado na zona leste de Londrina. A empresa está com problemas nas três lagoas de decantação, onde seriam despejados litros de tinta carregados de metais pesados nocivos à saúde. A prefeitura chegou à empresa após receber denúncias de moradores do Jardim Monte Rei de que um líquido escuro e malcheiroso vinha sendo despejado no ribeirão.
Os moradores dizem que os mais prejudicados são aqueles que residem na Rua Ermelino Nonino, a mais próxima da mata. Eles reclamam que, geralmente, no final da tarde, o mau cheiro é insuportável. O problema, segundo algumas donas de casa, começou há cerca de um ano, depois que a empresa de confecção de roupas se instalou do outro lado do fundo de vale, na Avenida São João.
''O cheiro é insuportável'', reclama Alzira Bonifácio, moradora da Rua Ermelino Nonino há 10 anos. Ela diz que, no final da tarde, é impossível permanecer na frente de casa. ''Deu 6 horas, ninguém aguenta'', completa a vizinha Rosangela Santana.
Outra moradora da rua, Mara Beatriz, chegou a limpar o espaço em frente de sua casa e plantou grama para melhorar o visual da rua, reclamando que o fundo de vale está malcuidado, com lixo e até animais mortos. ''Mas de que adianta a gente caprichar se a prefeitura abandona o lugar?'', questiona.
As três dizem que ligaram várias vezes para a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) para reclamar do mau cheiro. Há alguns meses, cansada de esperar uma solução, Alzira resolveu entrar na mata e procurar o causador do mau cheiro. Encontrou dois canos que levavam um líquido escuro e fétido para as margens do Córrego Barreiro. Próximo deles há um tipo de lagoa de decantação, mas os canos não deságuam ali.
Na opinião das mulheres, esse líquido escuro é o causador de outro problema que atinge o bairro: o aumento da incidência de pernilongos. ''Antes não tinha tanto inseto. Eles começaram a surgir há cerca de um ano'', explica Mara Beatriz.
Ontem, pela manhã, depois de uma vistoria técnica que comprovou o vazamento de poluentes para o Córrego Barreiro, os fiscais da AMA coletaram material que foi encaminhado para o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para análise. A confecção já havia sido notificada no último dia 6, mas como o problema não foi resolvido, a situação acabou se agravando. Na primeira vistoria, o ribeirão não tinha sido atingido. A demora da empresa, no entanto, acabou resultando no vazamento e poluição das águas do Barreiro.
De acordo com Luiz Eduardo Cheida, presidente da AMA, ontem, por duas vezes, os fiscais voltaram a inspecionar o escoamento da lavanderia. Na primeira visita, na parte da manhã, ainda havia o vazamento. Na segunda vez, no início da tarde, havia parado. A multa para crimes ambientais pode variar de R$ 1 mil a R$ 50 milhões. No caso dessa empresa, o valor só será decidido após o relatório técnico, que ainda não tem previsão de ficar pronto. ''Mas queremos resolver isso antes da multa'', diz Cheida. Além das vistas regulares, a AMA também vai encaminhar o processo para o Ministério Público.
A autarquia não soube informar o nome do proprietário. A reportagem da Folha esteve na empresa, localizada na Avenida São João, 2.726, mas não foi atendida. (Colaborou Karla Matida)


