Uma empresa de materiais para construção foi autuada na noite de anteontem por lavar um caminhão betoneira na barragem do Lago Igapó, na Zona Sul de Londrina, provocando suposta poluição no Ribeirão Cambezinho. Dois funcionários também receberam multas. A Polícia Florestal informou que a firma é reincidente, já que teria sido notificada pelo mesmo motivo em fevereiro.
De acordo com informações policiais, quatro homens estariam lavando o veículo nas águas da barragem do lago, às 18h10 de anteontem. O caminhão betoneira foi apreendido por ''lançamento irregular de resíduos sólidos em corpo hídrico.'' A empresa Londrimassa Concreto e Materiais para Construção recebeu duas multas de R$ 500,00 cada.
A polícia também autuou Fábio da Cunha, 30 anos, e Aparecido Carmo, 54, considerados os responsáveis diretos pelo ato irregular. Cada um recebeu uma multa de R$ 500,00. Segundo o tenente Marcos Ginotti Pires, da Polícia Florestal, o valor da multa poderá ser triplicado, por causa da reincidência, de acordo com análise do órgão ambiental julgador.
O crime ambiental está previsto nas legislações estadual e federal e prevê pena de seis a 12 meses de reclusão. Como a infração é considerada de baixo potencial ofensivo, os funcionários foram liberados. ''Mas o crime ambiental é grave e eles não deverão ficar impunes'', avaliou o tenente Ginotti.
O proprietário da empresa, Djalma Dantas da Silva, alegou que o caminhão estava no local para recolher água e havia sido lavado antes na própria empresa. ''Nós temos poço artesiano, mas como a bomba estragou, fomos buscar água na barragem, como muitos fazem'', justificou. Ele afirmou ainda que a firma deve recorrer da multa. Segundo o empresário, a decisão sobre o recurso contra a primeira autuação ainda não foi julgado.
O tenente ressaltou ainda que a infração de depositar sobras de material de construção em locais inadequados, como nas proximidades de rios e lagos, é comum na cidade. O órgão orienta que a ''emissão de resíduos poluentes, líquidos ou sólidos, em corpos hídricos caracteriza crime de poluição, podendo resultar na mortandade de peixes e severos danos à saúde de quem eventualmente utilizar aquele recurso natural.''
A autuação foi motivada por ligação anônima. Segundo o policial, este tipo de denúncia é recebido com frequência pela Polícia Florestal. ''É importante que a comunidade se conscientize da importância da preservação ambiental. Todos nós somos responsáveis'', decretou Ginotti. O telefone para denúncias e orientações é 0800-643-0304.

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