Empresa é acusada de ''roubar'' marca
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Vânia Moreira 
A empresa Irmãos Superti, de Umuarama, vai ingressar com uma ação de indenização contra a Distribuidora de Alimentos Cavgut, de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). A empresa de Umuarama acusa a distribuidora de utilizar indevidamente o nome de sua fábrica de charque em Umuarama, desativada há dois anos. No final do ano passado, a Cavgut estava distribuindo charque no mercado, em cujas embalagens constava que o produto era fabricado pela Superti, empresa que possui registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF).
Em dezembro, o empresário Marco Aurélio Superti comprou em supermercados de Umuarama e Maringá pacotes de charque que comprovam a irregularidade. Na embalagem, consta que o produto foi fabricado em 26 de outubro de 98 pela Irmãos Superti, registrada no SIF com o número 425. Marco Superti garante que nunca autorizou a Cavgut a utilizar o nome da empresa. Além disso, a fábrica de charque fechou há dois anos. Na época, os empresários venderam as instalações para a Mercantil Brasiliano, de Maringá. A Brasiliano operou alguns meses e também fechou a fábrica no início do ano passado.
Segundo o advogado da Superti, José Pento Neto, a Cavgut pode estar utilizando o nome da Superti para legalizar mercadorias compradas de empresas clandestinas, sem inspeção sanitária, ou para sonegar impostos.
O advogado ingressou com uma notificação juidicial para proibir a Cavgut de continuar utilizando o nome da Irmãos Superti. Marco Aurélio Superti informa que denunciou o uso indevido do nome e do SIF da empresa ao Ministério da Agricultura, mas o órgão não teria tomado nenhuma providência.
A Cavgut teria alegado que o próprio SIF a havia autorizado usar o número de registro da Superti. A genta enfrenta uma burocracia terrível para conseguir autorização do SIF para industrializar alimentos. Depois que sai o registro parece não haver mais nenhuma fiscalização, reclamou.
O registro no SIF atesta que a empresa reúne as condições sanitárias exigidas para fabricar alimentos. O produto que está sendo vendido com o nome da nossa empresa pode estar sendo fabricado por alguma empresa sem nenhum controle de qualidade, observou. Os técnicos do escritório do Ministério da Agricultura em Umuarama estão todos de férias.
Um dos diretores da Cavgut, que não quis se identificar, disse ontem à Folha, por telefone, que a distribuidora tinha autorização verbal dos Irmãos Superti para utilizar o nome da empresa. Como agora eles negam e começou a dar problema, nós suspendemos a distribuição do produto. O diretor se recusou a dar mais informações sobre o assunto.


