A Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar) protocolou ontem uma ação civil pública contra a empresa Milênia Agro Ciências S.A., o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Município de Londrina. A ação foi pedida ''por imoralidade administrativa, danos reais, potenciais e morais causados ao meio ambiente''. A ação foi impetrada no Fórum e hoje será realizado um sorteio para saber qual juiz deve pegar o processo.
A Milênia desenvolve suas atividades no Conjunto Habitacional Eucaliptos (zona leste) e por ser uma indústria de produção de agrotóxicos está incomodando os moradores da região. O médico especialista em Toxicologia Clínica, Igor Vassilief, examinou uma moradora do local e emitiu laudo onde afirma que a paciente apresenta ''quadro clínico de intoxicação crônica por produtos químicos ambientais, adquirido em seu local de moradia''. Outros moradores estão realizando exames e tratamentos médicos, informa a Amar.
A presidente da organização não-governamental (ONG), Lídia Lucaski, afirmou que quando esteve no local precisou tomar remédio, ''A poluição dessa firma me deixou muito mal e olha que eu sou de Araucária, um dos locais de maior poluição do país''.
A ação acusa o IAP de não ter realizado o Estudo Prévio de Impacto Ambiental (Eia/Rima) antes da Milênia ser instalada no local. Ainda segundo a ação, a empresa estaria em local residencial enquanto deveria estar em zona industrial, explicou Vitorio Sorotuik, advogado da Amar.
O chefe-regional do IAP, Andrew Pinheiro Neto, disse que a responsabilidade do instituto é determinar que tipo de estudo precisa ser feito no local. ''Não se exige naturalmente o Eia/Rima. Se houvesse necessidade do estudo, o IAP teria solicitado'', afirmou. Ele declarou que a empresa foi criada bem antes da comunidade se instalar no local e o responsável pelo zoneamento é o poder público municipal. ''O poder público foi dando anuência para que as pessoas chegassem'', apontou.
Pinheiro alertou para a necessidade de se estabelecer zoneamentos para o crescimento da cidade. A licença para a Milênia funcionar é renovada a cada dois anos. O diretor do IAP declarou que ''a empresa tem feito as adequações. Do ponto de vista do IAP já foram feitas todas as necessárias''.

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