Empresa é acusada de lesar candidatos
Érika Pelegrino
Oito pessoas compareceram ontem à 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina para registrar queixa contra a empresa Triple Card Life Sul, acusada de induzir candidatos a vender planos de saúde para garantir emprego. Segundo o delegado Walter Lemos, estas pessoas seriam ouvidas e as denúncias anexadas ao inquérito policial que apura denúncias contra a empresa. O inquérito já foi remetido ao Fórum. O Ministério Público também foi procurado por supostas vítimas.
O delegado afirmou que o processo é lento. É difícil confirmar um caso como este de estelionato. As pessoas estão dizendo que foram lesadas, mas é preciso investigação, disse. O grupo que esteve ontem na delegacia disse ter perdido entre R$ 100,00 e R$ 1,2 mil. A maioria tem entre 18 e 21 anos e está desempregada há algum tempo.
O estudante de turismo e hotelaria da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Paulo de Tarso, 19 anos, afirmou ter sido lesado pela empresa. Ele teria perdido R$ 1,2 mil. Paulo contou que o teste prático consistia na venda de planos de saúde a R$ 100,00 cada. Como era difícil vendê-los, as próprias funcionárias da empresa, segundo ele, teriam orientado os candidatos a emprestar dinheiro e a comprar os planos que deveriam ser vendidos.
Elas diziam até para recorrermos a agiotas. Falavam que elas também tinham feito isto para conseguir o emprego, contou o estudante. As funcionárias diziam que, depois que a gente estivesse empregado, conseguiria pagar o que emprestou logo no primeiro mês, só com as comissões.
Paulo disse que, depois de vender um plano de saúde, o candidato tinha que responder a um teste teórico. A gente nunca acertava as perguntas. Daí tinha que vender mais planos.
Novos planos eram comprados pelo candidato sob a promessa de estar próximo de atingir a meta de 50 pontos, necessária para a contratação. Em seguida, era realizado outro teste teórico no qual o candidato nunca passava, daí tinha que vender mais planos.
Segundo ele, depois de um mês de tentativas, e de já ter comprado um total de R$ 1,2 mil em planos de saúde, dinheiro conseguido com a família, finalmente foi informado que seria empregado. Só quando eu já estava dentro da empresa descobri que todas as promessas eram falsas. Eles disseram que o salário seria de R$ 480,00, mais comissões e carteira assinada, disse. E acrescentou: Só que não era bem assim. Não tinha carteira assinada, e o salário não era este, receberíamos só comissões.
De acordo com o rapaz, o trabalho que seria desenvolvido era uma fraude. Descobri que teria que fazer o mesmo que os funcionários faziam comigo e com os outros estagiários: instruir candidatos a emprego a conseguir o dinheiro emprestado para comprar os planos de saúde, e nunca deixá-los acertar o teste teórico para venderem mais planos, contou.
Paulo disse ainda que a empresa não tem vendedores: Os vendedores são os candidatos a um emprego. Os únicos funcionários são aqueles que ficam instruindo os estagiários a pagar pelos planos. O salário destes funcionários é a comissão que recebem em cima do que os estagiários vendem.
Ele contou que, ao descobrir o que teria que fazer, desistiu do emprego e deu queixa na delegacia. Isto foi em março. Paulo disse que recebe ajuda dos pais para fazer a faculdade. Mas preciso ajudar por isso estou a procura de emprego. As outras pessoas que deram queixa ontem também estão na mesma situação. Rosilene Luzia Peri, 21 anos, perdeu R$ 550,00. A gente fica neste desespero de conseguir trabalho e acaba topando estas coisas, disse revoltada.
Em entrevista à Folha na quarta-feira, o gerente em exercício da Life Sul, Celso Adriano, negou as acusações feitas por um grupo de pessoas que recorreu ao Ministério Público. Eles se sentiram lesados e se acham no direito de argumentar algo. Ontem a Folha voltou a ligar para a Life Sul no final da tarde mas ninguém atendeu as ligações.Grupo apresentou queixa na 10ª Subdivisão Policial contra firma que estaria aplicando golpe em interessados em emprego
Dorico da SilvaNA DELEGACIACandidatos ao emprego procuraram ontem a polícia: Fomos induzidos a comprar os planos de saúde; abaixo, o estudante Paulo de Tarso, que conseguiu a vaga: Descobri que tudo era promessa falsa





