Cascavel - O Ministério Público Estadual abriu procedimento investigativo para apurar suspeitas de um golpe que pode ter atingido mais de 70 mil pessoas em todo País. A empresa CRT Viver & Viver, de Toledo, é acusada de ser responsável pela organização de uma pirâmide de dinheiro que pode ter movimentado mais de R$ 15 milhões em menos de dois anos de existência.
A empresa que encerrou suas atividades em julho de 2000, era de propriedade de Terezinha Zielke, Romilda Zielke e Carmem Linches. As empresárias alegavam vender seguros de vida, com cada cota custando R$ 150,00. O que motivou milhares de pessoas a comprar foi a promessa de que em cerca de oito meses, poderiam receber até R$ 109 mil, por cota, de restituição do seguro.
Segundo a ex-supervisora da empresa Clarice Richetti, além de atuar em Toledo, a empresa abriu franquias em todos estados do País. Ela calcula que mais de 500 pessoas se envolveram com a empresa e tiveram grandes prejuízos. Apesar de não ter certeza, Clarice diz que entre as cerca de 70 mil pessoas que compraram as cotas, somente ‘‘cinco ou seis conseguiram receber o dinheiro prometido’’.
Depois de quase dois anos vendendo ‘‘seguros’’, as proprietárias decidiram mudar de ramo e passaram a vender uma revista. Entretanto, o esquema era o mesmo. O assinante pagava os mesmos R$ 150,00, e nos mesmos oitos meses poderia receber até R$ 14 mil. Clarice diz que as sócias decidiram fazer a mudança por causa das desconfianças que começavam a surgir entre as pessoas que compravam e não recebiam.
Entre os vários prejudicados com a compra de cotas está a Sociedade do Verbo Divino, entidade ligada à Igreja Católica, que investiu cerca de R$ 90 mil. O dinheiro, em sua grande maioria, era proveniente de doações e seria utilizado para a construção de uma escola. O padre que era responsável pelas finanças da entidade, na época, foi enviado para Roma, na Itália, depois que a direção da Igreja ficou sabendo dos prejuízos. A promessa era de uma recompensa de até R$ 70 milhões.

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