Empresa é acusada de fechar estrada
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quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Lucinéia Parra 
Produtores e moradores da zona rural de Mandaguari (33 km a leste de Maringá) estão revoltados com o fechamento dos acessos a uma estrada municipal que está sendo usada como desvio da praça de pedágio na BR-376. O fechamento dos acessos, segundo os produtores, foi feito pela Viapar, empresa responsável pelas obras do lote 2 do Anel de Integração.
Na última segunda-feira, segundo os produtores e moradores de Mandaguari, a Viapar fechou os dois últimos acessos (entrada e saída da estrada municipal para a rodovia, no sentido Mandaguari-Maringá) que restavam, obrigando-os a utilizar a rodovia. Como alternativa, os produtores abriram um novo caminho, a cerca de 10 metros do antigo acesso.
Marcos NegriniAlternativaCaminhoneiros e produtores usam o caminho aberto a 10 metros do antigo acesso, que também pode ser fechadoSó que esta alternativa deverá ser bloqueada porque fica no terreno da Cooperativa de Cafeicultores de Mandaguari (Cocari). Além disso, o caminho aberto está a cerca de cinco metros da cooperativa, o que tem provocado prejuízos ao setor de fiação devido a poeira causada pela passagem dos caminhões. Mesmo que a Cocari não feche o caminho, os produtores temem que a Viapar o faça.
Se a Cocari quiser fechar este caminho é um direito dela, mas nós não podemos ficar sem uma alternativa de chegar na estrada municipal. Por isso é a Viapar que tem que reabrir o acesso que nós sempre usamos para chegar na estrada, afirma Jair Estevão, 55 anos. Segundo ele, os produtores não têm condições de pagar pedágio todas as vezes que vão até as propriedades. Tem dia que vou e volto umas seis ou sete vezes, desabafa.
O mais grave, segundo Estevão, é que, com o fechamento dos acessos à estrada municipal, os produtores ficam sem poder trafegar com as máquinas, já que pelo código de trânsito o tráfego de máquinas agrícolas em rodovias é proibido. Sem a estrada municipal como é que a Viapar quer que a gente faça a colheita no campo. Será que a Viapar vai pagar a multa pelo tráfego de tratores e maquinários na rodovia?, indaga.
Como Jair, o irmão dele, Joel Estevão, 50 anos, também é produtor. Ele tem uma pequena propriedade e arrenda outra área, distante da sede cerca de 14 quilômetros. Eu tenho que levar a colheitadeira de trigo até a área onde eu arrendo e para isso tenho que usar a estrada municipal, diz.
A empregada doméstica Claudia Valdes dos Santos Lourenço, 33 anos, também reclama dos fechamentos dos carreadores promovidos pela Viapar. Ela mora na zona rural e trabalha na cidade. Por causa do fechamento de um carreador (no sentido Maringá-Mandaguari) que os motoristas estavam usando para chegar até uma estrada que servia de alternativa à BR 376, o ônibus que ela utilizava para ir trabalhar não passa mais no local e ela tem que caminhar mais de três quilômetros até chegar na beira da rodovia.
A assessoria de imprensa da Viapar informou que o acesso próximo ao pedágio de Mandaguari foi fechado por medida de segurança. Para acessar a estrada rural, diz nota da empresa, os veículos precisavam manobrar na contramão. Outro motivo apontado pela concessionária é que os veículos que deixavam o acesso levavam terra e lama em tempo de chuva para a pista, inclusive com o registro de acidentes no local.
A Viapar alega ainda que a estrada era usada como rota de fuga da praça de pedágio e que a empresa está aberta a estudar soluções que atendam os produtores. A nota destaca ainda que o convênio com o governo prevê que a concessionária fique responsável pela segurança nas estradas, o que permite o fechamento de acessos irregulares.


