Empresa do Sul do PR apostou no 'kit' e amarga prejuízo
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quinta-feira, 01 de abril de 1999
Marco Antonio Assef Especial para a Folha 
O empresário Bernardo Sandler é um exemplo do que a falta de coerência da classe política pode causar àqueles que apostam em leis aprovadas, mas que em pouco tempo perdem a validade sem maiores explicações. Ele é dono de uma indústria de embalagens térmicas em Rio Negro (Sul do Estado), a Bond Street Indústria e Comércio de Bolsas, e apostou que a lei dos kits de primeiros socorros seria duradoura e viria para ficar.
Foram contratados novos funcionários e a empresa investiu para produzir cinco mil kits por dia, pois havia falta de produto no mercado quando a lei número 9.503 entrou em vigor no início do ano. Com a queda da obrigatoriedade do kit de primeiros socorros aprovada, esta semana, pelo Senado Federal, depois de já ter sido aprovada na Câmara dos Deputados, Sandler não tem a menor idéia do que vai fazer com o material que comprou e nem de que maneira tentará cobrir os prejuízos do investimento feito desde o ano passado.
Uruguaio, mas radicado no Brasil há 18 anos, Bernardo Sandler chegou a publicar uma carta aberta às autoridades federais e estaduais em alguns jornais do Estado no início do mês, em que demonstrava sua perplexidade com a falta de critério dos deputados que, por causa das críticas da imprensa sobre a obrigatoriedade do kit de primeiros socorros, haviam revogado a lei na Câmara Federal.
Sandler dizia na carta que sua empresa possui uma sede de 1.800 metros quadrados e que, em dezembro do ano passado, contava com 98 funcionários. Mas esse número chegou a 120, com o ápice da produção dos kits. Sua arrecadação do ICMS era a quinta do município de Rio Negro e que estava com todos os impostos municipais, estaduais e federais rigorosamente em dia.
Em certo trecho da carta, o empresário questiona: O que acontece agora com nosso estoque de produtos acabados e matéria-prima para um total de 200 mil unidades, com pedidos suspensos e cancelados?


