A empresa RS Resgate, sediada em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, está sendo investigada pela Corregedoria de Polícia Civil do Rio de Janeiro, acusada de pagar ''prêmios'' aos policiais que recuperarem carros roubados. De acordo com o corregedor carioca José Vercillo, panfletos da RS Resgate teriam sido distribuídos nas 34 delegacias do Rio de Janeiro. Nesse material está escrito que o policial que recuperar um carro ganha um prêmio de no mínimo 10% do valor do veículo.
''Está se checando a ação dessa empresa no Rio de Janeiro, mas não se pode descartar a possibilidade ter haver ramificações em outras cidades e até em outros estados'', disse Vercillo. Em função disso, a corregedoria carioca pretende pedir ajuda às autoridades paranaenses.
A intenção é que os policiais do Paraná ouçam o proprietário da RS Resgate, Cemiro Bruder Júnior. Até ontem à tarde o corregedor paranaense, Adauto Oliveira, desconhecia o assunto. Ontem, a Folha procurou por Cemiro Bruder Júnior em sua casa em Curitiba e também em seu trabalho. No entanto, os telefones peramaneceram ocupados o dia inteiro.
Na avaliação de José Vercillo, Bruder Júnior, proprietário da RS Resgate, pode ser acusado de corrupção ativa ao distribuir o panfleto. Já os policiais que aceitarem o dinheiro poderão ser enquadrados por improbidade administrativa.
Pelas investigações da polícia carioca, a RS Resgate criou até uma tabela de preços, que varia conforme o modelo e idade dos veículos. Para os carros com valor acima de 10 mil, o prêmio é de 10% do valor do automóvel. Para aqueles com valor inferior, o percentual cai para 8%. E, caso a devolução seja feita diretamente ao segurado, o valor é de 3%.
Nos panfletos distribuídos nas delegacias cariocas, a RS Resgate informa que atua exclusivamente para a seguradora do HSBC. O corregedor carioca, José Vercillo, disse que pretende checar se outras seguradoras não estariam pagando prêmios no Rio de Janeiro. No entanto, a assesoria de imprensa do HSBC disse que a RS Resgate não faz parte e não pertence ao grupo. Além disso, a holding inglesa reforça que não adota o procedimento de gratificações para policiais. De acordo com a assessoria do HSBC, o grupo deve processar por perdas e danos o dono da RS Resgate, em função dele ter usado o nome do banco irregularmente.

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