Dorico da SilvaEntusiasmadoGustavo Santos, da Acesf, mostra fotos do cemitério vertical em Porto Alegre: ‘Solução para Londrina’O empresário José Elias Flores, dono da Cortel S/A, empresa de Porto Alegre (RS) que há 30 anos se dedica à construção e manutenção de cemitérios verticais, está disposto a construir o Memorial de Londrina. Seria um cemitério vertical com sistema rotativo e cremação de corpos. O investimento inicial, segundo informou Flores, estaria em torno de R$ 2 milhões.
O empresário tem implantados cinco cemitérios verticais, quatro no Rio Grande do Sul e um em Manaus (AM), além dos projetos desenvolvidos para terceiros e em parcerias. Ele disse que decidiu propor ‘‘um complexo que Londrina está pedindo’’. O projeto, segundo Flores, vai poder atender as necessidades do Município nos próximos 50 anos.
Para execução do projeto será necessário um terreno de 30 mil a 50 mil metros quadrados. O custo da obra, diz Flores, vai depender do tipo de cemitério a ser feito e do material empregado. Ele informou que o custo para utilização do cemitério vertical pode variar entre R$ 800,00 a R$ 5 mil. ‘‘Tudo depende do tipo de cerimônia, e do sistema a ser feito, que será de aluguel ou compra.’’
José Elias Flores ressaltou que o sistema rotativo, que pretende implantar na Cidade, prevê inicialmente uma área maior para sepultamento. ‘‘Passados três anos, há necessidade de um espaço menor para o depósito dos ossos’’. Sobre o valor da cremação, ele informou que não é elevado, girando em torno de R$ 300,00, dependendo do caso.
Caso consiga autorização para construir e operar o cemitério, Flores garantiu que no prazo de seis meses estaria iniciando as operações de cremação. Um ano depois, diz ele, o restante seria concluído. ‘‘Há tempos tivemos o interesse despertado por Londrina devido a sua potencialidade.’’
José Elias Flores possui a patente de um sistema antipoluente que funciona no interior do cemitério vertical, fazendo a aspersão de gases exalados pelos corpos, através de tubulação interligada a cada ‘‘gaveta’’. O sistema é, segundo ele, obrigatório para construção de cemitérios verticais na cidade de São Paulo, conforme determina legislação municipal. Flores é também o representante no Brasil da maior fabricante de fornos crematórios.
Se depender da opinião do superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), Gustavo Gomes dos Santos, em breve a cidade terá o cemitério vertical. Santos esteve em contato com Flores, na última quinta-feira, e conheceu o cemitério de Porto Alegre, com seis andares. Ele assegura: ‘‘É ecologicamente correto e é a solução para Londrina’’.
Segundo o superintendente, além do problema do espaço ocupado, há dificuldades para implantação de cemitérios convencionais em virtude da rejeição dos moradores. ‘‘É como cadeia: todo mundo cobra mas não quer perto de sua casa’’, diz Santos. Outro ponto, diz ele, é a dificuldade para escolha do terreno devido à legislação que procura evitar impactos ao meio ambiente, evitando a contaminação de áreas próximas a lençóis freáticos.
Dizendo-se animado com a idéia, Gustavo Santos já determinou ao setor jurídico da Acesf que encontre o caminho jurídico para tornar viável a implantação do cemitério vertical. A dificuldade, segundo ele, se deve ao fato de não haver legislação que trate da construção e administração de cemitérios verticais e crematórios. A administração dos serviços funerários e de cemitérios convencionais é de exclusividade da Acesf.
Na opinião de Santos, a empresa gaúcha poderia executar a obra e explorar o serviço através de regime de concessão do serviço, ou o faria na forma de empreendimento. Isso pode ser definido até a próxima semana. ‘‘Vamos ver qual procedimento jurídico a ser adotado e depois disso negociar com a empresa’’, disse o superintendente da Acesf. A autorização para que a Cortel construa e opere o cemitério vertical poderá estar condicionada à execução da nova sede da autarquia.

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