Empresa diz que vive angústia
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Da Redação 
Os trabalhadores da Encol vão ter de aguardar pelo menos até o final de julho para receber os salários atrasados. O diretor-presidente da empresa, Jorge Washington, informou que os pagamentos do pessoal e dos fornecedores está atrelado à retomada das obras. A parte mais difícil para manter a empresa funcionando com credibilidade e garantir os empregos diretos e indiretos já foi superada, disse Washington à Folha ontem, por telefone, de Brasília, onde a empresa centraliza suas atividades administrativas. Ele refere-se ao acordo fechado em 23 maio com os 38 bancos credores da Encol.
Washington explica que, na ocasião do acordo, foi estabelecido um prazo de 60 dias para os bancos liberarem os recursos necessários para a retomada das obras e operacionalização gradativa da empresa em todo o País. Até ontem o acordo havia sido firmado com os 13 maiores bancos - responsáveis por 85% da dívida da Encol. Os demais mantêm compromisso com o acordo, afirma o diretor-presidente.
Assumi o cargo em fevereiro com o objetivo de salvar a empresa da grave crise instalada pela má administração anterior, vindo de cinco experiências iguais e de sucesso, disse Jorge Washington, ressaltando que a angústia dos trabalhadores é vivida por ele 24 horas por dia. Meus salários também estão atrasados.
Segundo o diretor-presidente da empresa, vários setores estão envolvidos no trabalho de resgatar a Encol, entre eles grupos de congressistas. A crise na Encol começou em janeiro de 1995 e atingiu o grau máximo em janeiro deste ano, quando os bancos credores pediram o afastamento do fundador da empresa Pedro Paulo de Souza e de toda a diretoria. Ainda em fevereiro, a nova diretoria e os bancos iniciaram as negociações para garantir a continuação da empresa e sua credibilidade no mercado.
(Célia Baroni)


