Empresa denuncia desvio de contâineres
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sexta-feira, 16 de maio de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaEsperaCaminhões aguardam vistoria no Centro Internacional de Verificação de Cargas, em Ciudad del Este A retirada de 21 contâineres carregados com mercadorias importadas da Brocksonic, que estavam no porto de Santos (SP), e a entrada dos produtos no Centro Internacional de Verificação de Cargas (Civeca), em Ciudad del Este, no Paraguai, pode revelar um esquema de corrupção envolvendo funcionários do porto de Santos e da aduana paraguaia.
O prejuízo da multinacional, segundo sua representante no Paraguai, chega a US$ 4,5 milhões com o desaparecimento das cargas. Pelo menos 21 contâineres da Brocksonic entraram irregularmente em Ciudad del Este, segundo a Mersk Line, empresa responsável pelo transporte marítimo e guarda das mercadorias importadas.
Atualmente, 98 contâineres carregados com videocassetes e televisores de 14 polegadas da marca Brocksonic estão no porto de Santos. Os produtos só podem ser retirados pelas Casas Bahia, única empresa brasileira autorizada a revender os produtos, e pela A.G. Import-Export, representante oficial no Paraguai.
Os representantes oficiais do Brasil e Paraguai fazem pedidos, pagam através de bancos e a Brocksonic autoriza a retirada das mercadorias no porto de Santos. É assim que funciona, explica o diretor da Mersk Line, Nestor Ferrera. Ele denuncia que no dia 18 de abril, 10 contâineres deixaram o porto de Santos com uma autorização fria em nome da empresa Chaco Import-Export, com sede em Ciudad del Este.
Exatamente 7.515 aparelhos de televisão de 14 polegadas e 2.259 videocassestes estavam nesses carregamentos. Tudo isso saiu do porto de Santos, entrou na aduana do Paraguai e foi liberado por autoridades paraguaias que, no mínimo, fizeram vistas grossas para o esquema, diz o representante da Brocksonic.
Desconfiança Em 22 de abril, mais 11 carregamentos, com 9.185 aparelhos de televisão de 14 polegadas saíram de Santos e entraram no Paraguai em nome da empresa Marve Import.
Desconfiado, o diretor de Aduanas, José Riquelme Gomez, fez contato com a A.G. Import (representante oficial da Brocksonic) e a Mersk Line (resposnável pela guarda de mercadorias dessa empresa). Normalmente, a Broksonic envia entre três e quatro carregamentos por mês e nós estranhamos que entraram 21 contâineres em menos de cinco dias, disse.
Diferentemente dos primeiros 10 carregamentos, o Civeca não autorizou a retirada do último lote com 11 contâineres.
Retenção A Mersk Line, por determinação da Brocsonic, entrou na Justiça pedindo a retenção dos 11 contâineres e abriu inquérito policial para recuperar o primeiro lote já liberado pelo Civeca.
Na terça-feira, o juiz da 1ª Vara Criminal de Ciudad del Este, Mário Rubém Marrecos Gonzales, deu uma liminar e autorizou o Civeca a liberar as cargas para a Marve Import.
Um documento apresentado pela Mersk Line e assinado pelo presidente da Brocksonic, Jessie Broker, diz que os 21 contâineres não pertencem a Marve Import, a Chaco Import ou a A.G. Import (representante oficial da Brocksonic no Paraguai). Nenhum carregamento foi liberado para nenhuma empresa, afirma a nota.
Corrupção A Mersk Line está sendo pressionada pela Brocksonic. A empresa, responsável pela guarda da mercadoria deve arcar com o prejuízo de US$ 4,5 milhões. O diretor da Mersk Line, Nestor Ferrera, denunciou que houve pagamento de propina para liberar os containers no porto de Santos (SP) e na Aduana Paraguaia.
Não posso afirmar que o juiz Marrecos foi corrompido para liberar os 11 containers para a empresa Marve, mesmo com um documento da Brocsonic não reconhecendo a venda dessas mercadorias, porque não existem provas. Porém, é muito estranha essa liberação da Justiça, disse Ferreira.


