Lucilia Okamura
De Londrina
A empresa Sistema de Serviços Gerais Ltda. (Sisg), de Londrina, pediu a rescisão de contrato junto à Secretaria Estadual de Segurança e demitiu os quatro funcionários que estavam trabalhando nos setores de limpeza e transporte do Instituto Médico Legal (IML). Os funcionários entraram em greve no dia 4 de junho porque não estavam recebendo salários da empresa que, por sua vez, alega o não-repasse de recursos da Secretaria.
As ex-funcionárias Eliane e Ides Marques Santana disseram ontem que receberam o aviso prévio no dia 2 de julho. Elas contaram que a paralisação foi iniciada por causa do atraso dos salários de abril e maio. ‘‘A gente estava pagando para ir trabalhar porque nem vale-transporte eles davam’’, disse Ides, mãe de Eliane. Segundo ela, cada funcionário recebia R$ 200,00 de salário, cesta básica no valor de R$ 63,00 e vale-transporte.
A preocupação das duas é de a empresa não pagar o direito trabalhista. ‘‘Do jeito que estão as coisas, estamos com medo de não receber nada’’, afirmou Ides.
O chefe do IML local, Antonio Carlos de Queiroz, informou que recebeu, na semana passada, aviso da Sisg dizendo que estava rescindindo o contrato com a Secretaria de Segurança. Desde que os funcionários entraram em greve, o IML tem vivido uma situação difícil, segundo ele. ‘‘Estamos improvisando, fazendo uma limpeza uma vez por semana com pessoas cedidas por empresas. E, quanto ao transporte, transferimos o serviço para as funerárias da região’’, observou.
Queiroz informou que a precariedade na limpeza pode, inclusive, colocar em risco os funcionários do IML. ‘‘A sala de autópsia precisa ser limpa constantemente, sob pena de colocar as pessoas em risco’’, disse. ‘‘Mas entre paralisar o IML e ficar em uma situação destas, para a população ainda é melhor o improviso’’.
A Folha telefonou, ontem à tarde, para o sócio-proprietário da Sisg, Reinaldo Andrade, deixou recado na secretária eletrônica, mas ele não retornou a ligação. Em entrevista dada no início do mês passado, ele justificou o atraso no pagamento dizendo que o governo não estava fazendo repasse de recursos como rege o contrato.
Mas, segundo Queiroz, existe uma cláusula no contrato determinando que o repasse dos recursos seja feito apenas depois que a empresa apresentar os comprovantes de todas as obrigações trabalhistas. ‘‘É uma segurança para que os funcionários não saiam prejudicados’’, alegou.

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