Marcos BorgesConstantino: ‘Amigo de muitos anos’A Viação Santa Catarina, de Campinas (SP), é a primeira empresa de transporte coletivo urbano interessada em disputar o setor em Londrina. O sócio-diretor da empresa, Pedro Constantino, esteve reunido ontem com o prefeito Antonio Belinati, e o presidente da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Cléber Tóffoli.
A conversa durou cerca de três horas no gabinete do prefeito, tempo em que Constantino foi informado da disputa jurídica do transporte na Cidade. ‘‘Temos interesse em participar da licitação em Londrina em especial pelo porte e qualidade de vida da Cidade. Mexe com interesse de qualquer empresário’’, disse Constantino.
O empresário se disse ‘‘amigo de muitos anos’’ dos irmãos Lopes, proprietários da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), e uma espécie de conciliador entre a Prefeitura e a empresa. Constantino afirmou que tentaria um acordo com a TCGL. Mas, reticente, não revelou que tipo de acordo seria esse. ‘‘Se houver a licitação, os irmãos Lopes ganham. E o que isso vai mudar para a população?’’ Mesmo assim, Constantino afirmou que, no caso de uma licitação, a Viação Santa Catarina pode participar. ‘‘Mas prefiro o caminho do acordo, do entedimento.’’
Em Campinas, a Viação Santa Catarina opera com 264 ônibus. Outras cinco empresas atuam na cidade, que tem cerca de 1 milhão de habitantes. Ao todo 870 ônibus atuam no transporte urbano de Campinas. Constantino não revelou qual a frota total da empresa, que também atua em outras cidades do interior de São Paulo, do Mato Grosso e capital paulista. Para operar em Londrina, o empresário disse que precisa apenas do tempo que a fábrica pedir para entregar os veículos. Constantino estima que os seis meses do contrato feito pela Prefeitura sejam suficientes para a empresa se equipar. ‘‘Temos condições de assumir até 100% do transporte da Cidade’’, disse. ‘‘Daremos suporte se a Grande Londrina resolver sumir do transporte daqui.’’
Mas Constantino assegura que ‘‘nenhum empresário correria o risco’’ de entrar no transporte em Londrina, na situação jurídica em que se encontra. ‘‘Existe uma decisão jurídica que não depende do prefeito. Ele está de mãos, pés e boca atados para qualquer decisão’’, ressaltou. ‘‘A legalidade tem que prevalecer e isto é com a Justiça.’’
Trabalhando com o transporte há 30 anos, Constantino afirma que na situação da TCGL defenderia a empresa com a mesma garra. ‘‘Seria mais político’’, observa. Ele afirma que a empresa que dirige já passou por situação semelhante. Sem esquecer de frisar o ‘‘respeito pelo padrão de qualidade’’ mantido pela TCGL, que ele considera uma das 10 melhores empresas do setor do País, Constantino qualifica a Francovig de corajosa. ‘‘A Francovig está sendo muito peituda em entrar no transporte como está fazendo. Eles podem perder todo o investimento’’, disse, se referindo ao contrato de seis meses feito com a empresa para linhas da zona sul.
Outras empresas, segundo Tóffoli, também estão sendo contatadas para uma conversa. Segundo ele, nenhuma teria respondido ao convite até ontem. Sem informar números e nomes, o presidente da Comurb disse que as empresas são de Campinas e Belo Horizonte. Segundo Tóffoli a intenção é conversar com o maior número de empresários do setor. ‘‘Estamos nos preparando porque daqui a pouco podemos ter uma situação sem solução.’’
Tóffoli não confirmou se essa ‘‘preparação’’ está relacionada à ameaça do prefeito de anular o decreto que autoriza a operação da Francovig em 10 linhas da zona sul, ficando 85% do transporte urbano nas mãos da TCGL. O decreto, baixado no final de janeiro, tem validade de seis meses.
‘‘Estamos trabalhando com hipóteses’’, disse. Tóffoli prefere aguardar a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná sobre o pedido de suspensão da liminar que impediu a realização da audiência sobre o transporte coletivo, no ano passado. A audiência deflagraria a licitação do setor.

mockup