O proprietário da empresa responsável pelo vazamento da mistura contendo cianeto de sódio que provocou a morte de milhares de peixes em Sertanópolis comparecerá hoje ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para apresentar a documentação exigida pelo órgão.
Conforme informações do fiscal ambiental José Carlos dos Santos, a empresa já foi notificada e será autuada por não ter uma caixa de contenção que poderia ter evitado o vazamento do produto químico para o Lago Taboco. A mortandade de peixes foi verificada anteontem.
O valor da multa, entre R$ 500 e R$ 2 milhões, será definido pelo colegiado de gerência do IAP. Caso o proprietário Franciso Damian não apresente a documentação exigida, poderá sofrer novas autuações. ''Se constatarmos que o vazamento continua, a atividade poderá inclusive ser embargada'', afirmou, lembrando que a caixa de contenção é obrigatória em firmas que trabalham com esse tipo de produto.
O advogado da empresa, Marcel Machado, informou que ontem foi feita toda a sucção e contenção do banhado pluvial onde ainda havia água com o cianeto de sódio. ''Foram retirados seis mil litros de líquido, que foram colocados em um tanque para receber o correto tratamento'', afirmou.
Damian contratou uma firma de Londrina para analisar a água do lago. ''Serão verificadas a oxigenação e composição química, paralelamente ao laudo que será emitido pelo IAP.''
O cianeto de sódio que atingiu o Lago Taboco seria usado na montagem e usinagem de peças metálicas e estava armazenado em um tanque com capacidade para 3,4 mil litros. Funcionários municipais que faziam a limpeza do lago, anteontem, estimaram ter recolhido quase uma tonelada de peixes mortos.
Mais de 120 mil animais podem estar contaminados. Pelo menos 80 mil deles foram soltos no lago nos últimos dois anos, pelo Governo do Estado, para incentivo da pesca artesanal. Com o acidente, a pesca está proibida no local por tempo indeterminado. O consumo dos peixes contaminados pode causar graves danos à saúde, incluindo morte por asfixia.

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