Curitiba

Albari RosaBuracoO interventor Farracha de Castro: ‘‘Quando assumi, a empresa tinha caixa negativo de R$ 40 mil e hoje já está positivo’’A Empresa Cristo Rei Ltda., uma das dez que operam o sistema de transporte coletivo de Curitiba, está sendo gerida financeiramente por um interventor desde o final de outubro. O gestor financeiro - o advogado Carlos Alberto Farracha de Castro - foi nomeado pelo juiz João Pedro Gebran Neto, da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal. O juiz decidiu afastar os diretores da Cristo Rei porque a empresa responde a quatro processos por não recolhimento de contribuição previdenciária. O novo gestor já constatou a existência de outros débitos fiscais, trabalhistas e junto ao mercado financeiro.
A nomeação de um gestor foi uma alternativa encontrada pela Justiça ao pedido de prisão preventiva dos diretores, apresentado pela Procuradoria da República. Dois sócios da empresa - Hilton Chipon e Vitório Viezzer - sofreram ‘‘interdição temporária do direito de administrar as finanças da Cristo Rei’’. No despacho, o juiz afirma que a omissão de recolhimento de contribuição previdenciária já foi praticada ‘‘por mais de 30 vezes’’ e que a empresa continuava a fazê-lo.
Albari RosaA Cristo Rei já responde a quatro processos por não recolhimento da contribuição previdenciária
A Cristo Rei tem 783 funcionários. Segundo Farracha, a demissão de pessoal da área operacional (como motoristas e cobradores) não é cogitada. Já na parte administrativa, Farracha de Castro diz que constatou ‘‘inchaço’’. Ele já determinou algumas medidas de contenção de despesas, como suspensão do pró-labore de diretores e revisão da concessão de férias. ‘‘Quando assumi, a empresa tinha caixa negativo de R$ 40 mil e hoje já está positivo’’, diz.
O gestor nomeado disse que ainda não sabe qual o total da dívida da empresa. Segundo ele, além da dívida bancária, a Cristo Rei tem débitos com o FGTS, o PIS, o Cofins e problemas em contratos de leasing. ‘‘Os diretores alegam que os problemas decorrem do congelamento de tarifas no governo Requião e do alto investimento em novos ônibus que foi obrigada a fazer’’, afirmou. Segundo Farracha, a empresa passou a antecipar receita em bancos e foi envolvida pela ciranda financeira.
Dentro de 60 dias o advogado pretende apresentar à Justiça um plano de saneamento da empresa. A intervenção é por tempo indeterminado, mas Farracha disse que ‘‘não há interesse em torná-la prolongada’’. ‘‘Já constatei que, se partisse do zero hoje, a empresa seria viável’’, disse. A Folha procurou a direção e o departamento jurídico da Cristo Rei, mas não obteve retorno. O gestor nomeado informou que a empresa recorreu à Justiça contra a decisão do juiz.

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