O Movimento Ecológico do Litoral apresentou uma denúncia no Ministério Público estadual e federal contra a empresa Ouro Verde Fertilizantes, sediada em Paranaguá. A Organização Não-Governamental acusa a Ouro Verde de intoxicar a população vizinha e contaminar o meio ambiente. Segundo a entidade, a ensacadora de fertilizantes estaria manipulando inclusive produtos radioativos, para os quais não teria alvará.
O processo ainda está em fase de apuração pelos promotores e procuradores. Ontem, a Folha procurou a direção da empresa, porém os funcionários afirmaram que apenas o gerente Valdomiro Cordeiro Nascimento poderia falar sobre o assunto. No entanto, ele havia saído e, até o fim da tarde, não foi encontrado pela reportagem.
A presidente do movimento, Maria Esmeralda Quadros, conta que a população vem convivendo com uma nuvem branca há três anos. ‘‘Ninguém sabe a composição do produto, mas desde que vem sendo manipulado em grande quantidade tem causado crises de bronquites nos moradores vizinhos’’, afirmou Esmeralda, que também integra o Conselho Estadual do Litoral. Extra-oficialmente, a ambientalista levantou que a empresa estaria manipulando bário, bório, molibdênio, zinco, fósforo, enxofre, entre outros. ‘‘O bário e o bório são radioativos’’, afirmou Esmeralda.
Há seis meses, a situação se agravou. ‘‘Junto com a nuvem, que aparece nos fins de tarde e segue a noite inteira, o córrego próximo da empresa também vem sendo poluído’’, afirmou a ambientalista. Nos fins de semana, o Canal da Maré, como é conhecido um pequeno rio, cercado por mangue, fica branco, com espuma e consistência pastosa. ‘‘São nesses dias que lavam os galpões da Ouro Verde’’, afirmou.
No entanto, a ambientalista considera que a situação mais grave é com a população. Muitos estão tendo problemas respiratórios. ‘‘Tenho que dormir com máscara, porque não consigo respirar o ar’’, afirmou Maria Cândida Castro, 56 anos. Na casa dela, estão doentes o filho, Luciano Castro, 26 anos, e a neta Jéssica Castro, 9 anos. Todos têm crises de bronquite. ‘‘Falta ar e com a poluição da noite a garganta acorda seca e áspera’’, disse Luciano Castro.
Maria Cândida acusa que a poluição teria contribuido para acelerar a morte do marido Luiz Trajano Castro. ‘‘No laudo de óbito, apontava infecção respiratória’’, afirmou. Para o morador Luiz Farias, a poluição está matando os peixes do Canal e também a vegetação ao em torno da empresa.

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