Empresa de 1,99 é acusada de sonegação
O Procurador da República Nazareno Wolf pediu ontem abertura de inquérito na Polícia Federal, em Curitiba, contra a Gang Importação e Comércio de Utilidades do Lar Ltda, uma das maiores fornecedoras de artigos para lojas que vendem a R$ 1,99. Os donos da empresa são acusados de sonegação de impostos, estelionato, formação de quadrilha e uso de documentação falsa.
Os sócios-proprietários José Eduardo Bekin e Márcio Feldmann, além do contador Rupélio Colferai estão sendo investigados pela Receita Federal e a Procuradoria. Os três são acusados de constituir a empresa em nome do empresário fantasma Carlos Linhares da Silva e de Valver Duarte, um vigilante aposentado que teve os documentos furtados há oito anos e sofre de paralisia cerebral. Ele foi localizado na periferia de Colombo, morando numa casa simples de madeira.
Na semana passada, policiais federais, representantes da Procuradoria e da Receita apreenderam todas as mercadorias na sede da Gang na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). No dia 23 de novembro, José Bekin foi denunciado na 1ª Vara Federal Criminal, em Curitiba, por uso de documentação falsa. Colferai e Feldmann, segundo informações da Procuradoria, também serão indiciados. Os três são apontados como os mentores de uma procuração falsa assinada pelo fantasma Carlos Linhares e Valver Duarte, para repassar a administração da empresa aos cuidados de Bekin e Feldmann.
Desde a instalação da empresa, em julho de 1996, a Receita recebeu da Gang duas declarações anuais de prejuízo operacional. A alegação chamou a atenção dos técnicos, já que os donos da fornecedora, que trabalha com o nome fantasia Unipreço, classificavam a empresa como a maior distribuidora para lojas de preço único do País. A partir da entrada de mercadorias através do Porto de Paranaguá, os fiscais da Receita começaram a apertar o cerco contra a Gang. Os proprietários tinham que depositar no ato o imposto referente à carga que chegava do exterior e eram obrigados a abrir os containeres para que a fiscalização da Receita comparasse a quantidade de objetos que eram declarados.
O próximo passo da Procuradoria é descobrir quanto foi sonegado. Durante a operação, foi apreendida toda a documentação fiscal da empresa. Na sede da empresa, ninguém foi localizado para falar sobre a investigação. A secretária Fernanda Marques disse que o empresário José Bekin está viajando e que falaria com a imprensa no retorno, que não tem data definida.





