Empresa cria frentes para conter o problema
Ney de SouzaSedimentos geológicosEm alguns trechos do lago é possível andar centenas de metros com água pela canela, a um 1 km da margemA Itaipu Binacional está atacando o problema do assoreamento do seu lago em duas frentes. A primeira, já em andamento, é o incentivo de técnicas conservacionistas parte paranaense da Bacia do Rio Paraná, através de convênios com prefeituras e com o governo estadual. A segunda é a implantação de um sistema de monitoramento do transporte e do volume assoreado dos sedimentos. A empresa contratou o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) para idealizar, junto com especialistas da Universidade de Purdue (EUA), a melhor maneira de se descobrir o atual estágio da sedimentação.
Em meados de 1999, devem começar as primeiras medições feitas com sensores espalhados por vários pontos do Lago de Itaipu, Rio Paraná e afluentes. O número de sensores dependerá da conclusão do Iapar sobre as necessidades para um monitoramento eficiente, revela Hélio Martins Fontes Júnior, gerente da Divisão de Ecossistema Aquático de Itaipu. Fontes Júnior lembra também que será levado em conta o custo-benefício de cada projeto apresentado.
Hoje, a batimetria e a técnica mais moderna em uso no Brasil. Embarcações equipadas com um aparelho de medição de sedimento percorrem todo o leito do lago. O último trabalho deste tipo foi realizado em 1996. Com alguns resultados preliminares dá para se concluir que o problema maior está concentrado mesmo na região de Guaíra, afirma Luiz Dalmi Marenda, engenheiro químico de Itaipu envolvido na pesquisa.
No entanto, a batimetria não permite um diagnóstico geral do problema e nem possibilita que se faça estimativas seguras sobre a quantidade de sedimento acumulado ou em movimento. É por este motivo que este tipo de exame só tem eficácia em intervalos de cinco anos. Medições mais regulares não captam diferenças importantes, explica Marenda.
Com a nova rede sedimentométrica (que mede sedimento) desenvolvido pelo National Soil Irosion Research Laboratorie (NSERL), dos Estados Unidos, centro de referência internacional neste tipo de monitoramento, os resultados serão avaliados sempre que necessário.
Apesar de não ignorar o fenômeno, Itaipu se preocupa mais com problemas ambientais do assoreamento do que com possíveis consequências para a geração de energia. Para chegar o ponto em que as turbinas sejam afetadas pela presença de areia na água, vai demorar muitos, mas muitos anos mesmo, garante Luiz Paulo Johansson, engenheiro florestal de Itaipu e estudioso da sedimentação.
As ações práticas de Itaipu até o momento incluem produção e plantio de mudas na faixa de proteção à margem do lago. Atualmente, 91,5% da área está recuperada. Desde 1980, foram plantadas 17 milhões de mudas. só em 1997 foram um milhão de exemplares. Na agricultura, a empresa ajudou no terraceamento de 45 mil hectares de lavouras e na recuperação de 800 quilômetros de estradas rurais, que antes eram vítimas da erosão. (L.F.M.)





