Pesquisas sobre soja são a especialidade maior da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em Londrina (Embrapa-Soja). Ontem, porém, a rotina dos funcionários foi alterada em benefício de uma causa tão nobre quanto trabalhar para o desenvolvimento de nosso principal produto de exportação. A tarefa: plantar árvores e colaborar na criação de um bosque que servirá também de sala de aula para pesquisadores.
Numa área de aproximadamente um hectare, cada um dos 300 funcionários na ativa e outros mais de 200 já aposentados irão plantar até hoje mais de 500 mudas de árvores de 105 espécies nativas do Paraná e de outras 15 espécies exóticas de regiões diversas. São exemplares de castanheira, pinheiro, tarumã, mandioqueiro, pau-brasil, entre outras.
O ''Bosque dos Funcionários'' como está sendo chamado foi viabilizado praticamente a custo zero, já que as mudas foram cedidas pela Embrapa-Floresta, de Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e Universidade Estadual de Londrina (UEL). De acordo com o chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa-Soja, José Renato Farias, essa iniciativa é inédita entre os centros de pesquisa da empresa espalhados pelo país.
O pesquisador Antônio Garcia, que coordena o projeto, explicou que o funcionário vai atuar como o ''anjo da guarda'' da muda que plantou. Cada árvore terá uma plaqueta com os nomes popular e científico e também o nome do funcionário que a plantou. A idéia, segundo o pesquisador, é homenagear com o bosque todos os trabalhadores que ajudaram a consolidar a Embrapa como uma marca de excelência no segmento de pesquisa agropecuária. ''Costumo dizer que (cada árvore) é uma medalha permanente, que não enferruja'', comentou Garcia.
Mas como o conhecimento humano está sempre buscando ampliar seus horizontes sobre a natureza, a empresa também vai fazer do espaço um campo de trabalho. Através de uma parceria com a Embrapa-Floresta, o desenvolvimento das plantas será monitorado com a intenção de estimular o interesse por plantas de espécies nativas.
''Achei uma idéia fantástica. Tomara que ela cresça bem bonita'', resumiu o auxiliar de operações José Joaquim de Souza. Acostumado a lidar apenas com soja, ontem ele plantou sua primeira árvore em 16 anos como funcionário da empresa. Souza garantiu que vai cuidar da muda de ''Branquinho'' como ''se fosse um filho''. A mesma alegria foi manifestada pelo também auxiliar de operações José Francisco. ''Isso é muito bom porque todo mundo só se lembra de cortar e não plantar árvores'', apontou.
Atuando há 28 anos na Embrapa-Soja em funções burocráticas, a secretária da chefia, Sofia Anschau, sentiu certa dificuldade com sua muda de cipreste mas conseguiu cumprir a tarefa. ''É uma maneira de promover um maior congraçamento entre os que trabalham aqui e que os futuros funcionários também vão poder usufruir'', destacou.

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