Empresa coleta maior parte do sangue
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segunda-feira, 17 de julho de 2006
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Na semana passada a prefeitura de Londrina lançou uma campanha em parceria com o Corpo de Bombeiros para incentivar a doação de sangue no Hemocentro Regional do Hospital Universitário (HU), que nesta época do ano, tradicionalmente, registra queda no número de doadores (veja texto nesta página). Esta, porém, não é a única dificuldade encontrada pela instituição, a única na cidade mantida exclusivamente com recursos públicos.
Além de estar em um local fora de mão para a maioria das pessoas (ao lado do HU, na Vila Operária, Zona Leste), o Hemocentro, de acordo com a direção, não tem sido contemplado com recursos humanos e equipamentos necessários para aumentar o volume de coleta. Atualmente, ali são coletadas uma média de 1,2 mil bolsas (de 450 ml) por mês e fornecido sangue para os quatro hospitais públicos da cidade HU, Hospital da Zona Norte, Hospital da Zona Sul e Maternidade , além de instituições de Cornélio Procópio e Jacarezinho.
Os demais hospitais Santa Casa (que também administra o Hospital Infantil e Mater Dei), Hospital Evangélico, Hospital do Coração e Instituto do Câncer e clínicas de hemodiálise, são abastecidos pelo Instituto de Hematologia de Londrina (IHL), que também tem contratos com hospitais da região. O volume de sangue coletado no IHL é cerca de três vezes maior que o obtido no hemocentro.
Esta diferença contraria a portaria do Ministério da Saúde nº 1737, de agosto de 2004, que dispõe sobre o fornecimento de sangue e hemocomponentes no SUS, e o ressarcimento de seus custos operacionais. Segundo o texto, o SUS pode contratar serviços privados apenas para complementar a prestação de serviços, quando sua rede se mostra insuficiente.
A diretora do Hemocentro Regional, Mariza Saito, informa que a estrutura física da instituição permitiria coletar até 7 mil bolsas por mês, mas para isso seriam necessários mais recursos humanos, financeiros e equipamentos.
A médica explica que independente de se tratar de banco de sangue particular ou privado, quem paga por todos estes procedimentos é o Sistema Único de Saúde. O que difere é o responsável pelo pagamento dos serviços de transfusão. Nos hospitais públicos quem banca o serviço é o SUS. Nos particulares, fica por conta dos planos de saúde, do próprio paciente ou do SUS, se o hospital for conveniado.
O responsável pela triagem clínica dos doadores do IHL, Jorge Tadeu de Assis, revela que a maior parte do sangue utilizado no País é coletado em bancos privados, que funcionam como prestadores de serviço para o Ministério da Saúde. Hoje os governos de Estado não conseguem suprir as necessidades de sangue. Maringá, por exemplo, tem dois bancos privados, Curitiba tem quatro e apenas um hemocentro. Em Ponta Grossa e Cascavel a situação é semelhante, informa.
O médico diz não saber se a explicação está na falta de recursos. Nós temos hoje a mesma quantidade de funcionários e acho que os mesmos equipamentos que o Hemocentro Regional. Ele concorda, porém, que a localização central (na Rua Souza Naves, próximo à Santa Casa) é um ponto bastante favorável ao IHL. Talvez se eles estivessem aqui no Centro, coletassem a mesma quantidade que nós. Tem muita gente que está por aqui e, ao ver o Instituto, acaba lembrando de doar sangue, admite Assis. As duas unidades móveis de coleta, que percorrem empresas e cidades da região, também fazem a diferença. Segundo o médico são dois
a quatro municípios visitados
por dia.
A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 153, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 14 de junho de 2004, determina que a doação de sangue deve ser voluntária, anônima, altruísta e não remunerada, direta ou indiretamente. Ou seja, o sangue, friamente falando, é uma matéria-prima gratuita, mas que movimenta altas somas de dinheiro por parte do Ministério
da Saúde.
Todo o material utilizado para a coleta tem que seguir normas específicas da Vigilância Sanitária, e quase sempre é importado. O controle é muito rigoroso. Cada exame sorológico, hoje, custa R$ 103,69 para o SUS, afirma o médico do IHL. Ele rechaça, porém, a idéia de comércio com o sangue. Não existe isso. O que o governo faz
é pagar por todas as despesas envolvidas no serviço.


