A ação de uma possível empresa clandestina de mistura de combustível pode ter contaminado o Ribeirão Lindóia, em Londrina. Essa foi a nova hipótese, levantada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), ontem, durante uma reunião com a Defesa Civil e representantes do Pool de Combustíveis. A contaminação com óleo diesel no ribeirão, no trecho que passa próximo ao pool (zona oeste), foi percebida por moradores há cerca de duas semanas. Ainda não foi descoberta a causa da contaminação.
Mesmo com a nova hipótese, o chefe regional do IAP, Andrew Pinheiro Neto, informou que não estão descartadas as outras possibilidades de contaminação – vazamentos na tubulação da Petrobrás Distribuidora ou do Pool de Combustíveis e um acidente com um trem da América Latina Logística (ALL), ocorrido no início de fevereiro, com vazamento de óleo diesel.
Pinheiro Neto disse ainda que mesmo com a apresentação dos laudos negativos dos testes feitos nas tubulações do pool, na última semana, o recebimento de combustível não será liberado no local. A Petrobrás Distribuidora também está com embargo desde sexta-feira e a ALL não pode descarregar o combustível na unidade de Londrina desde sábado. A Petrobrás informou, através da assessoria de imprensa, que ‘‘as providências para os testes solicitados já foram iniciadas’’.
A hipótese de a empresa clandestina foi levantada porque o Pool de Combustíveis detectou, através de análises, que o produto encontrado no ribeirão não é óleo puro, mas contém uma parte de graxa ou outro lubrificante. ‘‘O pool comercializa óleo diesel puro e a mistura de combustível é um problema nacional, não sei como a região está enfrentando o problema’’, disse o engenheiro de segurança e meio ambiente da Petróleo Ipiranga, Altair Vasconcelos Moisés. Ele veio do Rio de Janeiro na última semana para gerenciar o trabalho de limpeza do ribeirão.
A informação do pool é que foram recolhidos até agora 800 litros de combustível. Na semana passada foram divulgados 1,2 mil litros, mas segundo Altair, esse volume era de óleo ainda misturado com água.
Ontem, a Cohab divulgou uma pesquisa feita, na última semana, com moradores ribeirinhos. De 23 famílias, 10 não sentiram o cheiro de óleo ou não se preocuparam com o assunto e sete perceberam vestígios de óleo na água do ribeirão e encontraram animais mortos. Três famílias mencionaram consequências como dor-de-cabeça, vômito e tontura por causa do cheiro de óleo e outras três famílias mencionaram que desde que residem no local, há cerca de oito anos, percebem manchas de óleo no ribeirão, quando chove muito. ‘‘O último ítem é preocupante, o problema pode ser antigo’’, ressaltou o coordenador da Defesa Civil, Carlos Eduardo Afonseca e Silva.
A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente entrou, ontem, com uma ação de medida cautelar para a produção antecipada de provas da contaminação com óleo diesel no Ribeirão Lindóia.

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