Empresa autuada vence nova licitação
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Betânia Rodrigues De Londrina 
A entrega de produtos abaixo do peso por vezes seguidas à Prefeitura de Londrina não impediu que a distribuidora Brasmilho Comércio e Indústria Ltda ganhasse nova licitação no município em abril. A partir do final deste mês a empresa começa a entregar 4.170 quilos de macarrão conchinha e 34.326 quilos de macarrão espaguete que serão consumidos por crianças de escolas municipais, creches e entidades beneficentes no segundo semestre.
A distribuidora de Contagem (MG) existe há cerca de cinco anos e é especializada no comércio com órgãos públicos. Nos últimos oito meses, o nome da empresa esteve envolvido três vezes com produtos comprados pela Secretaria de Educação de Londrina e reprovados pelo Instituto de Pesos e Medidas (IPEM). Um exemplo é o óleo da marca Graziela que tornou-se alvo de um inquérito policial em Itápolis (SP) por sugestão da procuradoria jurídica da prefeitura no ano passado.
Uma perícia feita pelo IPEM, em setembro de 2000, constatou a falta de 81 ml, em média, em cada lata de 900 ml. Na época, o fiscal metrológico do órgão, Marcelo Trautwein, disse que foi a primeira vez em 15 anos de profissão que encontrou uma diferença tão grande. Em matéria publicada pela Folha no dia 20 daquele mês, ele afirmou que a lei permite a falta de, no máximo, 5 ml.
Mesmo repondo a diferença de óleo, a indústria Triângulo Alimentos Ltda não escapou da Justiça e nem da multa. A Brasmilho, porém, saiu ilesa. Em abril deste ano, ela ofereceu novamente o óleo Graziela em licitação para a merenda escolar de Londrina que foi desclassificado pelo mesmo motivo. Dessa vez, faltavam 85 ml em cada lata e por isso o produto foi descartado da concorrência.
O chefe do setor de licitações da Brasmilho, Alfredo Ferreira Baranda, disse que a repetição no erro foi um descuido. Foi um problema técnico nas envasadoras. Não dá pra pesar cada lata que compramos e distribuímos pelo Brasil inteiro. Nós apenas cotamos os produtos e oferecemos aos interessados. A possibilidade de diferença nas embalagens é um risco que estamos sujeitos, justificou Baranda ao afirmar que a partir de agora vai acompanhar mais de perto as transações. Estão fazendo uma tempestade num copo dágua, finalizou.
O delegado de Itápolis, Luis Carlos Agudo, confirma a participação da empresa mineira através dos relatórios enviados pela procuradoria jurídica de Londrina. O titular desta pasta em 2000 era Arão Moreira dos Santos Neto que assim como Trautwein prestou depoimento para o inquérito por meio de carta precatória. Aberto no dia 5 de outubro, o inquérito ainda não foi concluído porque o delegado disse que ainda não recebeu esses depoimentos.
Outra irregularidade que envolve a Brasmilho foi confirmada novamente pelo IPEM no mês passado. A pedido da Secretaria Municipal de Educação, os técnicos metrológicos analisaram todos os produtos estocados no depósito do Programa Municipal de Merenda Escolar e constataram a falta de 0,7 gramas, em média, em cada pacote de um quilo do feijão carioca tipo 1, da marca Tryumpho. Por causa disso, a empacotadora e distribuidora Atacadista Mundial enviou mais 210 quilos do produto para compensar o erro.
Por ter entregue 30 quilos além do necessário e respeitado o prazo, a secretária de Educação, Magda Tuma, disse que seria tolerante e não incitaria ação jurídica contra a empacotadora. Da próxima vez não agirei assim, afirmou a secretária que decidiu dar mais uma chance à dupla Brasmilho e Mundial que ainda têm mais 7.390 quilos de feijão para entregar, conforme o contrato.


