Empresa assume coleta de lixo por 90 dias
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

A Kurica Ambiental iniciou na manhã de terça-feira (20) o serviço de coleta de lixo orgânico domiciliar em Londrina. Nesse primeiro dia as equipes atuaram na zona norte da cidade. A empresa foi contratada emergencialmente por um período de 90 dias, substituindo a Paviservice, até a conclusão de um novo processo licitatório para a execução do serviço. De acordo com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU-LD), a mudança ocorreu após a empresa Paviservice informar que não tem interesse em prorrogar o contrato com valores inferiores a R$ 155,00 a tonelada. A Kurica irá operar o serviço por R$ 134,97 a tonelada.
O motorista Claudecir Benedito de Roma reside no Conjunto Semíramis e ficou observando o trabalho de coleta. "Eu achei estranho ver o caminhão da Kurica, que está bem melhor que a da empresa anterior. Se for para melhorar a coleta de lixo, não tem problema mudar a empresa", declarou. Ele acrescentou que a coleta de lixo é importante para o dia a dia de uma cidade. "Aconteceu uma greve, que fez acumular o lixo em frente das casas e os cachorros acabavam rasgando os sacos e tudo ficava espalhado", reclamou. Ele se refere a outubro deste ano, quando os trabalhadores deflagraram uma paralisação para reclamar das más condições dos caminhões e da falta de equipamentos de proteção individual.
A reportagem foi ao encontro de uma equipe da Kurica em atividade na zona norte. Todos os integrantes da equipe trabalhavam para a Paviservice antes da contratação pela Kurica Ambiental. Para o motorista Renato Willian de Abreu, pelo primeiro dia deu para ver que a empresa oferece condições de trabalho melhores. "Os caminhões estão todos ok e os equipamentos de proteção individual -EPIs- estão todos certinhos", declarou.
Segundo a presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Londrina, Izabel Aparecida de Souza, ainda existem alguns pontos que precisam ser adequados. "Os EPIs não estão totalmente completos. Todos os coletores devem possuir uniformes com faixas reflexivas, botas, calças e luvas. Mas como a empresa está iniciando hoje, fizemos um acordo informal para que tudo esteja regularizado até meados de janeiro", declarou. Segundo ela, a Kurica Ambiental vai manter os funcionários na sede da empresa, mas já declarou que pretende procurar um lugar mais acessível para os moradores, já que boa parte deles reside na zona norte.
A manutenção dos mesmos trabalhadores fez com que não houvesse sobressaltos na transição entre uma empresa e outra. "Eu não senti diferença. O trabalho dos coletores sempre foi bom. Eu nunca tive queixas em relação ao trabalho deles", apontou Eliel Carvalho, morador do Semíramis.
A Paviservice informou que os 150 funcionários que trabalhavam na coleta em Londrina foram dispensados. A coordenadora de contratos públicos da Kurica Ambiental, Elisângela Ariano, ressaltou que todos eles participaram do processo seletivo realizado no domingo (18) e foram contratados. Segundo ela, o contrato com a CMTU possui uma estimativa de coleta de 12 mil toneladas diárias. "Nós sabemos que a coleta tem girado em torno de 10,5 mil toneladas por dia, mas sabemos que no fim de ano há um aumento natural de resíduos", destacou.
Elisângela apontou que mesmo tendo sido contratada emergencialmente a empresa já possuía equipamentos que eram mantidos de reserva para participar de outras licitações e locou outros caminhões para compor a frota de 18 veículos para a realização do serviço.
A coordenadora garantiu que esse serviço não afetará a coleta dos grandes geradores de resíduos, que também é realizado pela empresa. "Temos entre 200 e 220 funcionários que trabalham nessa área. Os dois são serviços prestados bem separadamente para não haver confusão em relação a isso", explica. Ela ressalta que os caminhões que trabalharão na coleta pública receberão uma identificação, um adesivo dizendo que o veículo está a serviço da CMTU. "Não fizemos essa identificação ainda por falta de tempo hábil, mas vamos trabalhar esta semana para aplicar a identificação conforme a CMTU exige."
Segundo o presidente da CMTU, José Carlos Bruno de Oliveira, o objetivo do contrato emergencial é manter a qualidade do serviço prestado, em especial neste momento de férias e festas de final de ano, em que o consumo tende a crescer.


