A gerente de grupos e responsável pelas linhas de tratamento da Natura, Elizabeth Pereira, disse ontem por telefone que a empresa tomou conhecimento da repercussão do caso de Vilma Apolinário depois que uma reportagem da TV Londrina foi veiculada, mostrando as reações provocadas no corpo da paciente. ‘‘A gente precisa saber até que ponto nós temos parcela de responsabilidade no quadro geral da paciente. Estamos apurando o fato com profundidade e logo deveremos ter uma posição oficial.’’
Elizabeth Pereira também confirmou que pelo menos uma ligação de Vilma Apolinário foi registrada no serviço de atendimento ao consumidor. ‘‘Ela realmente nos ligou depois de ir ao dermatologista. E nós estavamos aguardando o laudo médico solicitado a ela’’. A gerente explica que a Natura mantém em várias cidades médicos dermatologistas para atender casos como o de Vilma. Nas cidades que não há médico da empresa, ela garante, o consumidor é orientado a procurar um médico particular e depois enviar à empresa o laudo médico para que os custos da consulta ou tratamento sejam ressarcidos.
Sobre as reações que o Chromos da Natura possa estar causando, a gerente admite que podem haver mas em casos especiais, com pessoas que têm uma sensibilidade muito grande aos componentes do produto. ‘‘Mas essa reação não chega a provocar um caso grave.’’ Segundo ela, o produto é composto por ácidos de última geração, que servem para suavizar as reações.
O dermatologista Luiz Roberto Serrano, no entanto, aponta que o ácido glicólico, que também compõe produtos como o Natura Chromos, pode e tem causado muitas reações. ‘‘A dose do ácido é baixa, mas assim mesmo tem fototoxidade, ou seja, pode queimar a pele e produzir reações cutâneas’’, diz. Serrano admite que utiliza o ácido dentro da clínica, em limpezas de pele, mas com critérios e doses controladas. A venda indiscriminada de produtos dessa natureza, segundo ele, é preocupante: constantemente o médico tem recebido, em sua clínica, pacientes vítimas de produtos cosméticos. A representante da Natura afirma, no entanto, que o produto ‘‘não contém ácido glicólico puro’’.

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