Empresa aguarda aditivo para demolir barracão de agrotóxico
Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
A demolição do último barracão que abrigava agrotóxicos em Tamarana (60 km ao sul de Londrina) depende da assinatura de um contrato aditivo entre o governo do Estado e a empresa WPA. Foi ela que retirou as 844 toneladas de defensivos agrícolas de dois prédios, demoliu um deles e transportou tudo até Belforoxo (RJ) para incineração numa unidade da Bayer.
Cada barracão mede 600 metros quadrados e os dois foram construídos em 81 numa área de 44 alqueires pertencentes à Secretaria de Segurança Pública do Estado. De acordo com o secretário do Meio Ambiente de Tamarana, Hélio Braz Ferreira, o governo pretendia usar os prédios para uma colônia penal agrícola, mas acabou deixando a secretaria estadual de Agricultura transformá-la num depósito.
Os agrotóxicos foram apreendidos pelo governo em todo o Estado e estavam em Tamarana desde 85. Sua destruição foi determinada pela Promotoria Pública para evitar que o material contaminasse o ambiente e as pessoas que moram nos arredores. O concreto era bem reforçado e duas análises do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) feitas ano passado comprovaram que não houve prejuízo. Quando a remoção de tudo for concluída faremos uma nova avaliação, disse o secretário de Tamarana.
O contrato inicial entre o Estado e a WPA mencionava a transferência de 1.200 toneladas de defensivos para o Rio de Janeiro. Devido à diferença de remuneração a empresa se comprometeu a demolir também um dos prédios. Ferreira acredita que a finalização do trabalho deva custar mais R$ 600 mil aos cofres públicos.
A Superintendência de Desenvolvimento Hídrico do Paraná está tentando agilizar a assinatura do contrato aditivo junto à secretaria estadual do Meio Ambiente. Enquanto isso, os governos municipal e estadual já discutem qual a nova finalidade da área. Ontem, o prefeito Edson Siena estava em Curitiba para tratar do assunto com o secretário de Segurança Pública José Tavares. Ferreira afirmou que a intenção de Tamarana é aproveitar a área para uma escola agrícola. O Estado tem outro plano: quer construir uma penitenciária feminina.





