A direção da Ouro Verde Fertilizantes pediu uma trégua aos moradores do bairro do Rocio, em Paranaguá, para resolver os problemas ambientais causados por sua operação. Apesar de garantir que cumpre a legislação ambiental, a ensacadora de adubos e fertilizantes se comprometeu em adaptar a planta da empresa. Até o fim do ano, pretende diminuir a poluição sonora e das partículas lançadas no ar, com reforma na estrutura e colocação de filtros. Independente das medidas anunciadas, o Movimento Ecológico do Litoral (MEL) quer interromper as atividades da ensacadora, via judicial, até que a empresa se enquadre no código ambiental.
O chefe de produção e engenharia da Serrana, Ademir Bazzotti, disse que a holding que adquiriu a Ouro Verde Fertilizantes está preocupada em não prejudicar os moradores vizinhos. ‘‘Assumimos o controle em Paranaguá agora em outubro, por isso pedimos a compreensão da comunidade para que possamos nos adaptar’’, disse Bazzotti. A Ouro Verde foi comprada pela multinacional holandesa Bunge Fertilizantes, que é proprietária também da Serrana e Manah.
A presidente do movimento, Maria Esmeralda Quadros, conta que a população vem convivendo com uma nuvem branca há três anos. Extra-oficialmente, a ambientalista levantou que a empresa estaria manipulando bário, bório, molibdênio, zinco, fósforo, enxofre, entre outros. Esmeralda disse que apesar das explicações da empresa, quer a suspensão das atividades, até que sejam instalados filtros.
Ademir Bazzotti, da Serrana, nega que haja manipulação de produto radioativo e acrescenta que todos os componentes são naturais, como uréia, fosfato e nitrato. O chefe de produção afirmou que os filtros dependem de projetos específicos. Antes de criar os projetos, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) está fazendo medição de partículas e também de ruídos. Laudos saem em 15 dias. ‘‘Se a empresa estiver infringindo a lei, vai ser multada’’, avisou Régis Matzenbacher, do IAP.
O chefe da Serrana afirmou que o cronograma das mudanças pode ainda sofrer alterações. ‘‘No próximo ano, a empresa pode ser transferida para outro lugar’’, afirmou, acrescentando que pode ser para outro bairro em Paranaguá ou uma cidade fora do Estado.
Independente da mudança, o empresário Felippe Barletta afirmou que vai processar os novos controladores da Ouro Verde. ‘‘Moro há 18 anos aqui e agora não consigo dormir por causa do barulho e poeira que a fábrica faz’’ disse. Barletta quis se mudar do local, mas não conseguiu vender a casa. ‘‘Minha casa está rachando por causa da empresa’’, reclamou.

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