A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) recebeu, no início da semana, uma carta da construtora Grande Piso, de Foz do Iguaçu, através da qual a empresa desiste do recebimento dos custos investidos na construção de dez casas de fibrocimento no conjunto Ilda Mandarino (zona norte). Na prática, este documento efetiva a doação das casas construídas no primeiro semestre deste ano para a Cohab, que já era a proprietária do terreno. As informações são do presidente da Cohab, Wilson Mandelli.
Segundo ele, o impasse sobre as casas de fibrocimento está perto da solução. ‘‘Agora vamos encaminhar os documentos para efetivar da doação das casas. Depois de tudo regularizado junto à Prefeitura, cartórios de registro de imóveis e do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), poderemos oferecer as casas às famílias de nossa lista de espera’’, explica Mandelli. ‘‘Esperamos resolver esta situação nas próximas semanas.’’
O impasse teve início em março, quando houve a mudança de diretoria na Cohab. A imprensa havia divulgado amplamente que a construção das casas fazia parte de um projeto-piloto, na qual a Cohab entraria com o terreno e a Grande Piso construiria as dez unidades sem custos para o município. Depois da mudança da diretoria, proprietário da Grande Piso, Roberto Sass, passou a exigir o recebimento dos custos de R$ 120,00 por metro quadrado construído.
‘‘Agora, voltamos aos termos iniciais da negociação, e estamos perto de uma solução definitiva. Ela é boa para a construtora, para a Cohab e para o Município’’, avalia Wilson Mandelli. De acordo com ele, as casas serão inicialmente alugadas por um período de 18 meses. ‘‘Só depois, com o amparo de um laudo técnico, poderemos vender as casas para as famílias pretendentes, de acordo com a ordem de espera em nossa fila.’’
As casas, já praticamente prontas, foram invadidas em maio. Na época, a Grande Piso conseguiu na Justiça uma ordem de despejo dos invasores. Os despejados foram transferidos para um assentamento na região sul da Cidade. No final de março, após denúncias de irregularidades na documentação do projeto-piloto entre Cohab e Grande Piso, a Câmara de Vereadores constituiu uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), que passou a questionar a qualidade das casas e a investigar os termos da negociação.
Roberto Sass denunciou, através de seu advogado, que a assinatura que constava do contrato entre a Grande Piso e a Cohab como sendo sua - no qual a empresa assumia as obras com custo zero para o município - era falsificada. Convocado para depoimento por diversas vezes, ele não compareceu à comissão da Câmara. A CEI já encerrou seus trabalhos mas ainda não apresentou o relatório final.
A Folhanão conseguiu localizar, ontem, o empresário Roberto Sass.

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