Tripulantes argentinos do navio de bandeira hondurenha Elmoro, que está retido na baía de Paranaguá por ordem da Justiça desde novembro, pediram ajuda ao Consulado da Argentina em Curitiba para não passar sede e fome. Seis dos 15 tripulantes estiveram na terça-feira no escritório da Polícia Federal, em Paranaguá, para relatar ao consulado que estão com os salários atrasados e que o estoque de comida está acabando.
O Elmoro foi interceptado pela Capitania dos Portos no dia 27 de novembro quando deixava o porto de Paranaguá. O navio havia descarregado três dias antes cerca de 5 mil toneladas de óleo de soja e regressava para San Lorenzo, na Argentina. Uma empresa de São Francisco do Sul (SC) que em 1996 reclamou na Justiça uma dívida com a companhia Sudatlântica de Navegacion S/A - proprietária da embarcação - conseguiu o arresto do navio e impediu que ele deixasse o País.
A Capitania dos Portos também detectou 91 irregularidades no navio. O Elmoro é um navio tanque de pequeno porte, pesa 3.873 toneladas e pode ter mais de 20 anos de uso. ‘‘Do jeito que ele está, um incêndio em alto mar colocará em risco toda a tripulação’’, disse o relações públicas da Capitania dos Portos do Paraná, capitão de corveta José Ronaldo Reiser da Silva. Os tripulantes enviaram um fax ao consulado e disseram que, se receberem o dinheiro devido pela Sudatlântica, podem promover os reparos. No navio, há 14 argentinos e um russo. Em Paranaguá, circulou a informação de que pelo menos seis ocupantes do navio já teriam regressado à Argentina.
A lista de irregularidades cita que o sistema de comunicação de socorro é inoperante, motores auxiliares e principal avariados, leme danificado e bomba de incêndio de emergêcia estragada. Em comunicado à imprensa, a Capitania dos Portos do Paraná informou que o navio só será liberado se a Justiça suspender o arresto do Elmoro e imediata correção dos danos constatados pela Marinha. O navio está fundeado em frente ao terminal da empresa Catalini, que recebe granel líquido.
‘‘A situação deles é delicada. São cidadãos que foram abandonados e que precisam de uma assistência’’, comentou o cônsul-adjunto do Consulado da Argentina em Curitiba, Ricardo Zuberbuhler. Ele informou que o consulado está tentando identificar na Argentina quem são os representantes da Sudatlântica. Zuberbuhler contou que eles serão chamados a Curitiba para explicar as denúncias de atraso de salário feitas pela tripulação.

mockup