Almirante Tamandaré - O depoimento controverso do empreiteiro de obras, Ananias de Oliveira Camargo, de 25 anos, levou a polícia a acreditar que ele está envolvido em pelo menos cinco crimes. Camargo foi ouvido ontem pela delegada Vanessa Alice, que investiga a série de assassinatos em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. Preso em Balneário Camboriú (SC), na semana passada, Camargo tinha dois mandados de prisão decretados. Em um deles é acusado pela morte do policial militar Alceu Rodrigues, conhecido como ''Beá'' . Ele também é acusado pela força-tarefa especial de suposta participação em roubo de carros e desmanches.
Depois de ouvir o depoimento de Camargo e de várias testemunhas, a delegada Vanessa Alice vai passar a investigar a participação dele no assassinato de Clécio Daniel Ferreira da Rocha, de 24 anos, morto em dezembro; do cabeleireiro conhecido como ''Alceu'' e de Suzana Moura Gazani. O corpo de Suzana foi encontrado numa chácara em Almirante Tamandaré, na sexta-feira passada, mesmo dia em que foram presos Camargo, a mulher dele, Eliane Dias de Oliveira e Adão Ribeiro, amigo do casal.
Segundo a delegada, Camargo estaria envolvido com uma facção da quadrilha, acusada de agir em Almirante Tamandaré, que realiza os assassinatos. Pelo menos 100 homens e 20 mulheres foram mortas na região desde 1999. ''Ele negou todos os crimes, mas o depoimento dele foi controverso em várias situações''. disse a delegada. Vanessa Alice informou ainda que Camargo pode estar envolvido em outros crimes, além dos cinco confirmados por ela, e que a partir de seu depoimento, pode solicitar outras prisões.
A delegada confirmou apenas que já pediu a prisão preventiva de Adão Ribeiro e Eliane Dias de Oliveira, também conhecida como Osana. Eles teriam presenciado a morte de Suzana e foi a partir do depoimento deles que a polícia encontrou o corpo. ''Provavelmente eles já estão foragidos'', disse a delegada.
O depoimento de Camargo, tomado na Delegacia de Ordem Social, durou 2h30. A mãe de Clécio esteve no local, mas a delegada transferiu o seu depoimento para próxima quinta-feira. Expedita Almeida Rocha mora em Almirante Tamandaré há 24 anos e disse que ''ninguém pode andar sossegado na região''. Ela disse que testemunhas confirmaram que Camargo matou seu filho, na noite de Natal do ano passado. ''Mas todos mundo tem medo de falar e ser o próximo a ser morto'', disse.

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