Obra parada é o que não falta na cidade. No âmbito da administração pública, atualmente, o maior motivo é descumprimento de contrato. Das cinco obras públicas que estão paradas em Londrina, por esse motivo, quatro foram assumidas por empreiteiras de fora. Para a Secretaria Municipal de Obras, a situação ocorre por dificuldades naturais enfrentadas pelas empresas, como o desconhecimento do comércio e da mão-de-obra locais. O problema também pode ser considerado um resultado da Lei de Licitações, que determina igualdade de condições nas concorrências públicas para empresas da cidade e de outros municípios.
Os atrasos mais recentes foram nas obras dos ginásios das zonas Sul e Oeste, Memorial dos Pioneiros, da Escola Municipal Bárbara Falcovski Vieira, no Jardim União da Vitória, e da ponte entre os bairros Maria Celina e Barcelona. Apenas a licitação da última foi vencida por empresa londrinense.
A necessidade de estututura física e administrativa na cidade onde é realizada a construção ou reforma é apontada pelo secretário de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, como uma das causas dos atrasos ou descumprimento de contratos por parte de firmas de outras cidades. ''Empresas boas e empresas ruins existem em todo lugar. Mas as que pegam uma obra em outra cidade precisam montar uma estrutura. Então, as pequenas têm mais dificuldades. É preocupante quando as empresas de fora ganham mais licitações do que as locais porque os custos são maiores para elas'', comenta.
A legislação determina que as empreiteiras com menor preço vencem as licitações. Na prática, é difícil para quem vem de fora praticar um valor menor, até porque a estrutura que precisa ser montada representa um custo a mais. ''Ou então, trabalha para empatar. Não entendo o empreiteiro que faz isso'', acrescenta.
Os atrasos mais comuns são causados por fatores que independem do controle das empresas, como a chuva. Mas também há casos de firmas que quebram e as obras ficam incompletas. Também pode haver questionamentos administrativos das empresas derrotadas e os trâmites burocráticos podem atrasar as obras ainda mais.
As pendências judiciais também prejudicam. Em Londrina, dois casos são exemplares: a duplicação da Rua Goiás e a ampliação da Avenida Ayrton Senna estão paradas por decisão da Justiça.

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