Curitiba Mesmo com o processo de investigação de irregularidades na restauração da Estrada da Ribeira (BR-476) ainda em aberto, o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o repasse de verbas em 2005 para a finalização da obra. De acordo com a empreiteira J. Malucelli Construtora, a pavimentação do trecho de 94 quilômetros da rodovia deve estar concluído até maio deste ano.
Uma auditoria do TCU realizada no início do ano passado levantou uma série de irregularidades, desde mudanças no projeto de terraplenagem até a suspeita de superfaturamento na compra de brita por parte da construtora. O resultado final do processo no TCU, porém, não confirmou as suspeitas dos auditores do órgão. ''O próprio fato do TCU ter liberado as verbas previstas no Orçamento para este ano mostra que tudo foi feito de acordo com a lei'', comentou Ernesto Scarante, diretor administrativo da empreiteira.
A principal acusação dos auditores referia-se à mudança no contrato original assinado entre a União e a empresa, que previa a compra de brita de uma pedreira localizada em Tunas do Paraná. Porém, como a pedreira não dispunha de alvará ambiental, um aditivo contratual foi realizado repassando mais verbas para a compra da brita de uma pedreira da empresa Rafael Greca e Filhos. Os auditores do TCU suspeitavam, porém, que a J. Malucelli estaria utilizando sua própria brita e apropriando-se do diferencial de preço entre o preço tabelado pela empresa do deputado estadual e o custo de produção de sua própria brita.
O TCU chegou a determinar a suspensão dos repasses de verba para a empresa em 2004 enquanto os problemas eram investigados, movido pelo fato da empresa não ter apresentado as notas fiscais da compra de brita. Para Scarante, a decisão foi precipitada. ''Entendemos que o tribunal deve fiscalizar, mas não tivemos nem chance de apresentar nossa defesa antes da suspensão do repasse. Posteriormente, provamos em nossa defesa que transportar a brita de nossa pedreira até a obra sairia mais caro do que utilizar as pedreiras da região. Nós só não apresentamos as notas fiscais solicitadas porque isso era uma ingerência indevida do TCU, que nos paga para realizar a obra, e não para verificar nossas notas fiscais'', argumentou o diretor.
De acordo com Scarante, a J. Malucelli tinha confiança de que o TCU iria retomar os pagamentos após o esclarecimento da situação com a brita. ''Inclusive mantivemos as obras por quatro meses enquanto esperávamos uma decisão de Brasília. Foi uma licitação muito difícil de vencer, e nossa proposta teve um deságio de 30% em relação ao preço do projeto. Agora é uma questão de honra para nós entregarmos a Estrada da Ribeira, que é uma reivindicação antiga dos municípios da região'', afirmou.

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